A importância das eleições de meio de mandato nos Estados Unidos se reflete nas mudanças que elas promovem na estrutura do Congresso. Essas votações ocorrem no segundo ano do mandato presidencial e são conhecidas como midterms, ocorrendo nesta semana. Durante esse período, todas as 435 cadeiras da Câmara dos Representantes – semelhante à Câmara dos Deputados no Brasil – estão em disputa, assim como um terço do Senado.
Por conta dessas eleições, a composição das duas casas do Legislativo americano pode mudar significativamente. Na Câmara, cada mandato dura dois anos, o que significa que os assentos são renovados tanto nas eleições gerais quanto nas midterms. No Senado, a situação é diferente: um total de 100 senadores exerce seu cargo por seis anos, renovando 34 ou 35 cadeiras a cada dois anos; neste ano, 35 estão em jogo.
A relevância do pleito
Essas votações funcionam como um indicador da percepção pública em relação ao governo federal. Quando a insatisfação com o presidente aumenta, é comum que o público busque votar em representantes do partido opositor nas urnas. Nos Estados Unidos, os dois partidos predominantes são os Republicanos e os Democratas, embora existam outras formações, como o Partido Verde e o Libertário, com uma presença reduzida no Congresso.
No cenário atual, o presidente Donald Trump, pertencente ao Partido Republicano, observa uma tendência preocupante para sua candidatura, uma vez que o Partido Democrata conseguiu ocupar a maioria das cadeiras da Câmara, demonstrando um desgaste de sua imagem perante os eleitores.
A percepção pública desfavorável a Trump se reflete nas pesquisas recentes, que indicam uma aprovação em torno de 30% e uma desaprovação que se aproxima dos 60%. Com a predominância do partido adversário no Congresso por mais dois anos, Trump enfrentará dificuldades em levar adiante sua agenda política, especialmente em questões controversas como tarifas comerciais e a ação militar contra o Irã.
O Congresso desempenha um papel crítico nas decisões do Executivo, sendo necessário para a aprovação de orçamentos, alterações legislativas e nomeações para a Suprema Corte e outras agências federais, como o FBI e a CIA.
Além disso, cabe ao Congresso autorizar qualquer ajuda militar internacional e aprovar declarações de guerra.
Governadores em pauta
As midterms também trazem a eleição de novos governadores em diversos estados. Dos 50 estados, 36 participam da renovação de seus governadores. Contudo, nem todos realizam essas eleições simultaneamente devido às regras locais. Por exemplo, Nova Jersey e Virginia acabaram de concluir suas eleições em 2025 e não devem realizar novas até 2029.
Cada estado adota regras específicas, apresentando cédulas de votação distintas. No Kansas, os eleitores votaram para cargos como deputado, senador e governador, enquanto no Missouri, as opções incluíam auditor e representantes estaduais, semelhantes aos cargos estaduais no Brasil.
Adicionalmente, muitos estados aproveitam a oportunidade das midterms para incluir consultas públicas nas cédulas eleitorais. No Kansas, por exemplo, havia uma questão consultiva, e no Missouri, foram disponibilizadas oito.
Fonte: Agência Brasil/EBC








