O atual surto de sarampo nos Estados Unidos, que já contabiliza mais de 4,4 mil casos em 2026, levanta preocupações, especialmente no Brasil. O fator que contribui para essa crise é o aumento dos discursos antivacinação, impulsionados pelo governo anterior, que resultaram em uma taxa alarmante de 98% dos infectados sem vacinação completa.
De acordo com Eder Gatti, diretor do Programa Nacional de Imunizações brasileiro, os EUA estão enfrentando um retrocesso em saúde pública que pode gerar consequências para todo o continente americano. “Os Estados Unidos provam com seu exemplo os riscos da falta de vacinação adequada”, afirma Gatti.
Segundo o diretor, o aumento de casos pode ter um efeito dominó que afeta também o Brasil, que registrou 61 casos neste ano, a maioria por origem importada.
Contexto Internacional
Como o Brasil conseguiu ser reconhecido como área livre de sarampo em 2016, após a doença ter sido reintroduzida em 2019, a manutenção dessa certificação tem se mostrado desafiadora. “Estamos falando de vidas em risco, especialmente entre crianças e populações vulneráveis”, alerta Gatti.
Desde 2023, o índice de vacinação da tríplice viral subiu, alcançando 95% na primeira dose e 80% na segunda, mas a vigilância continua crucial, já que a ocorrência de sarampo está aumentando na América Latina.
Perda de Confiança nas Vacinas
No cenário norte-americano, a decisão de reduzir o número de vacinas recomendadas foi motivada por fatores políticos, mas não científicos, causando incertezas e desconfiança entre os pais. “Isso confunde a população, pois a academia recomenda o contrário das novas diretrizes do governo”, observa Juarez Cunha, diretor da Sociedade Brasileira de Imunizações.
Para Cunha, é vital que haja um consenso sobre a importância da vacinação, já que os surtos podem ser controlados através de uma cobertura adequada, que deve se manter em 95%.
O impacto das mudanças nos EUA também é sentido no Brasil, onde relatórios indicam que existem mais de 56 mil casos de sarampo em toda a América Latina. O aumento de desinformação e a relutância em vacinar recém-nascidos são preocupações crescentes. “É essencial que a população compreenda a gravidade da doença e as consequências da falta de imunização”, reforça Cunha.
Fonte: Agência Brasil/EBC







