A atual crise política e a superficialidade das campanhas têm sufocado discussões cruciais para o Brasil. A presidenta da Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj), Samira de Castro, expressou sua preocupação em recente entrevista, onde apontou que as propostas estruturais estão sendo esquecidas em favor da busca por conteúdos mais atrativos e imediatos, uma tendência alimentada pelo comportamento da mídia.
Samira comentou: “Estamos vivenciando uma intensa ‘tiktokização’ das campanhas eleitorais, onde tudo se limita a danças e tendências passageiras”.
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Na fala de Samira, percebe-se a crítica à falta de disposição de muitos candidatos para tratar dos problemas reais do país. A relevância do jornalismo em tempos de crise, como o que afeta o Supremo Tribunal Federal (STF), também foi destacada, enfatizando a importância de se ir além do noticiário superficial.
Agência Brasil: Como você vê a corrente atual de crises que afetam o debate eleitoral?
Samira de Castro: A situação já extrapolou o âmbito do Judiciário, envolvendo diversos órgãos e mantendo a crise como foco central das discussões. Isso tende a se intensificar nos meios de comunicação.
Agência Brasil: Acha que a imprensa poderá equilibrar a cobertura da crise e estimular os candidatos a evidenciar suas propostas?
Samira de Castro: Sinceramente, vejo isso como pouco provável. O jornalismo atual se resume, em grande parte, a uma abordagem superficial, desconsiderando a profundidade necessária diante de escândalos e crises.
Agência Brasil: Quais as consequências disso para o debate eleitoral?
Samira de Castro: O debate eleitoral é gravemente afetado, já que as atenções se concentram na crise institucional, que muitas vezes eclipsa as questões pertinentes à sociedade civil e às propostas dos candidatos.
Ainda que alguns veículos tentem abordar as propostas de governo, estas ficam em segundo plano, focadas em crises constantes, em parte motivadas pela busca incessante por audiência. Assim, a população tende a não se aprofundar nas propostas e candidatos, prejudicando a organização da sociedade civil.
Agência Brasil: Dadas as circunstâncias, poderia haver uma cobertura diferente para equacionar os fatos e as discussões estruturais?
Samira de Castro: A mídia deve focar na agenda que vai além da crise judicial. É necessário destacar a realidade nacional e os desafios futuros, como as questões econômicas e sociais, que devem ser discutidas com uma gama diversificada de fontes, evitando qualquer viés editorial.
Agência Brasil: A crise política gera interesses distintos que a imprensa deve esclarecer sim, mesmo sob riscos?
Samira de Castro: O papel da imprensa se torna cada vez mais desafiador. Não podemos ficar restritos a reportar apenas o que é conveniente para certos grupos. O jornalismo deve conscientizar-se da sua função social, sendo responsável pela informação de interesse público.
A luta pela audiência não pode sacrificar a profundidade e a relevância das discussões, especialmente quando a tônica da campanha se traduz em conteúdos superficiais. A afirmação de Samira sobre a “tiktokização” reflete um fenômeno alarmante na comunicação atual.
Agência Brasil: Quais temas você considera prioritários nas eleições?
Samira de Castro: A questão climática se sobressai neste contexto. A forma como as propostas são elaboradas sobre mudanças climáticas e suas consequências é urgente. Outros tópicos, como o uso de terras raras e a atração de data centers, também precisam de um debate mais aprofundado.
Fonte: Agência Brasil/EBC







