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Desafios da Governabilidade no Novo Mandato de Lula

Editor by Editor
03 nov 2026
in Brasil
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O desafio de Luiz Inácio Lula da Silva em sua reeleição, conquistada com a impressionante marca de 64 milhões de votos em outubro, revela que, embora a vitória tenha sido a maior da história das eleições presidenciais do Brasil, o caminho à frente não será fácil. A presença de uma oposição sólida no Congresso Nacional implica que a governabilidade demandará uma negociação constante e a formação de novas alianças.

Recentemente, as dificuldades para o governo conseguir apoio foram discutidas no Seminário Brasil 2027 – Desafios do Novo Ciclo, promovido pela Fundação Casa de Rui Barbosa no Rio de Janeiro, onde especialistas avaliaram as implicações dos resultados eleitorais.

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Contexto Político Atual

Um dos obstáculos mais significativos para a formação de uma maioria no Parlamento será a ascensão de apoiadores do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). Juntamente com partidos como Progressistas (PP) e Republicanos, a ala direita detém mais da metade das cadeiras, conforme destacou Lúcio Rennó, professor da Universidade de Brasília.

Rennó comenta que a imagem tradicional de um presidente como líder governamental com um mandato direto do povo tem sido desafiada nas últimas décadas pela crescente influência legislativa, o que complica ainda mais a governabilidade do Executivo.

Oposição e Obstrução

Além da necessidade de formar uma maioria robusta, o governo de Lula enfrentará uma oposição pronta para bloquear iniciativas. Cláudio Couto, cientista político da Fundação Getulio Vargas, alerta para o fato de que essa oposição é marcada por uma falta de reconhecimento da legitimidade do governo atual, o que poderia resultar em ações de sabotagem.

“Estamos diante de uma direita que busca deslegitimar seu oponente,” destaca Couto.

Por exemplo, parlamentares demonstraram resistência à proposta de reforma tributária do governo, visando a obstrução da agenda do Executivo, mesmo que a proposta tenha o apoio de alguns aliados bolsonaristas.

A Importância do Centrão

Em meio a esse complexo contexto, o “centrão” será crucial para a construção de uma base parlamentar sólida, especialmente na Câmara dos Deputados. Couto enfatiza que a habilidade do governo em negociar com esses partidos será essencial para viabilizar suas políticas.

Uma das primeiras provas dessa articulação acontecerá em fevereiro, nas eleições para as presidências da Câmara e do Senado. O desfecho dessas eleições terá um impacto significativo na capacidade do governo de avançar com seus planos legislativos.

“Atualmente, os dois principais poderes do país são o presidente da Câmara e o do Senado, que têm a capacidade de definir agendas e controlar a possibilidade de impeachment, além de influenciar diversas nomeações importantes,” acrescenta Rennó.

Ser capaz de dialogar com o centrão não basta. É necessário também que o Executivo melhore sua coordenação interna, assegurando que os membros do governo, indicados por diferentes partidos, atuem em prol da agenda do governo no legislativo.

Ainda, espera-se que os projetos do Executivo sejam elaborados levando em conta os interesses diversos da base aliada. Essa tarefa exigirá discussões detalhadas sobre cada aspecto das propostas.

“O Legislativo terá o desejo de alterar praticamente tudo. As pautas que forem aprovadas refletirão uma aliança de interesses entre o Executivo e a base no Congresso,” afirma Couto. A Casa Civil terá um papel vital para mediar essa relação, segundo o cientista político.

Lula, por sua vez, tem reiterado que o contexto não é tão complicado e que ele pretende estabelecer conexões com o Parlamento para progredir em sua agenda. Além do mais, mesmo em um cenário desfavorável após o primeiro turno, o novo governo já conseguiu aprovar algumas pautas importantes.

Mobilização e Sociedade

Além das negociações com o Congresso, a mobilização da sociedade será outro recurso valioso para sustentar a agenda governamental e promover pautas democráticas, como reforça Talita Tanscheit, professora da PUC-Rio.

Ela argumenta que é vital para o Partido dos Trabalhadores (PT) manter relações contínuas com os movimentos sociais progressistas, estimulando sua participação no debate político por meio de órgãos de gestão coletiva.

“O segundo turno ressuscitou a presença da sociedade civil e dos movimentos sociais, ausentes desde a pandemia,” comenta Tanscheit.

Ela acredita que, para lidar com um legislativo hostil, serão necessárias “inovações democráticas”.

Os especialistas concordam que, enquanto a vitória de Lula contribui para a preservação da democracia, a oposição de setores conservadores pode limitar o progresso do governo. Tema como a reforma do Judiciário poderá ressurgir nas negociações, especialmente à luz das críticas à atuação do Supremo Tribunal Federal.

Rennó sugere que a proposta de redução da maioridade penal para 16 anos poderia ser um movimento de mediação, diante das demandas mais extremas de redução de idade por parte da direita radical.

A discussão sobre a reforma judicial se tornará mais frequente, em um ambiente onde a legitimidade do STF é questionada. A vitória dos aliados de Bolsonaro no Senado reflete a insatisfação popular com a atuação do STF, tornando as propostas de reforma uma realidade tangível no cenário político atual.

Fonte: Agência Brasil/EBC

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