A recente derrota dos republicanos nas eleições de meio de mandato nos EUA está levando os líderes da extrema direita europeia a reconsiderarem suas relações com Donald Trump.
Essa mudança de atitude chama atenção, considerando que muitos destes líderes estavam, anteriormente, empolgados com sua associação ideológica a Trump, especialmente após sua vitória em 2024, quando alguns chegaram a visitá-lo em Washington e a contar com o apoio do bilionário Elon Musk.
Um novo cenário político
Jordan Bardella, chefe do Reunião Nacional na França, representa bem essa nova postura. Embora tenha elogiado a vitória ideológica de Trump, agora alerta que o seu segundo mandato se distanciou do isolacionismo prometido anteriormente.
“As intervenções dos EUA no Irã têm consequências muito significativas” para economias globais, destacou, evitando atribuir a responsabilidade diretamente a Trump.
Alice Weidel, co-líder da Alternativa para a Alemanha (AfD), também expressou que a guerra contra o Irã é um fator de fracasso do ex-presidente. Ela mencionou que Trump havia prometido não seguir uma política externa interventora, o que agora se voltou contra os republicanos.
Trump admitiu que as ações no Irã contribuíram para o desfecho da sua recente eleição, mas permaneceu firme em sua decisão de continuar com esse curso de ação.
Repercussões na Europa
Matteo Salvini, líder da Liga na Itália, comentou que o resultado nos EUA reflete as tensões internacionais e a elevação dos custos de vida, um tema que afeta diretamente as famílias. Segundo ele, a expectativa é que esse evento eleitoral leve a um fim das hostilidades e ao restabelecimento da paz.
“Espero que essa votação possa ser um passo rumo à paz”, afirmou Salvini.
Roberto Vannacci, um ex-general italiano e atual líder do Futuro Nacional, destacou que os resultados americanos evidenciam os riscos de não cumprir promessas eleitorais, embora tenha solicitado uma política mais centrada na soberania e nacionalismo, como advogada por Trump.
Distanciamento estratégico
Conforme analisado pelo especialista Mujtaba Rahman, os líderes europeus da extrema direita estão se distanciando de Trump principalmente por questões de conveniência política. Sua crescente desaprovação, especialmente em relação ao aumento do custo de vida, pode transformar o que antes era um ativo político em um risco.
“O temor é que Trump e seus apoiadores do ‘MAGA’ retribuam essa distância retirando apoio político”, explicou Rahman.
Dan Dungaciu, da Aliança para a Unificação dos Romenos, minimizou a percepção de que Trump está politicamente acabado, sugerindo que sua influência ainda perdura, embora seu papel na política americana mude.
“Trump não se torna automaticamente um presidente sem poder; a dinâmica apenas muda”, observou.
Santiago Abascal, líder do Vox na Espanha, foi sincero ao dizer que não se importa com o que ocorre fora de seu país, reforçando seu distanciamento de Trump, apesar de no passado ter promovido laços com o ex-presidente americano.
“Estou na Espanha, não em Michigan”, afirmou Abascal.
Rupert Lowe, da Restore Britain, igualmente criticou a estratégia de Trump na questão do Irã, descrevendo-a como um erro significativo sem mencionar seu nome diretamente. Para ele, as consequências foram nulas e nada valiosas.
Nigel Farage, do Reform UK, reconheceu a derrota dos republicanos como “completa e total”, referindo-se à influência da guerra no Irã e a custos elevados de energia como fatores críticos para o insucesso eleitoral.
Farage declarou que muitos jovens que apoiaram Trump acabaram votando nos democratas, refletindo em grande parte a insatisfação com a política atual.
Fonte: Agência Brasil/EBC







