As expectativas dos brasileiros em relação às futuras administrações incluem um aumento significativo no acesso a atividades culturais gratuitas, como shows e exposições. Esta demanda, apontada por 42% dos entrevistados na pesquisa chamada Hábitos Culturais, foi divulgada recentemente.
Esse levantamento revela que, embora o direito à cultura seja garantido pela Constituição, ainda persiste uma grande desigualdade no acesso. Entre os que pertencem às classes A e B, 63% compareceram ao cinema nos últimos 12 meses, enquanto apenas 18% das classes D e E tiveram a mesma oportunidade.
Desigualdade no acesso cultural
A pesquisa também destaca que o custo de transporte e ingressos é um dos principais obstáculos que afastam as pessoas das atividades culturais. Aproximadamente metade dos que frequentam esses eventos gasta até R$ 100 mensalmente. Além disso, o medo da violência também é uma barreira significativa.
“Os dados ilustram a evidente disparidade no acesso à cultura, especialmente quando analisamos através de fatores socioeconômicos e educacionais”, comenta Ana Maria Cardoso, coordenadora do Observatório da Fundação Itaú.
Cardoso acrescenta que a pesquisa não sugere que as classes sociais mais baixas valorizem menos a cultura, mas sim que existem barreiras que dificultam o acesso, que vão além do gosto pessoal.
Prioridades a serem atendidas
Ouvir as demandas da população é essencial. O levantamento indica que 32% dos brasileiros desejam a criação de mais instituições de cultura, como museus e teatros. Outras prioridades incluem a melhoria dos espaços existentes, destacada por 28% dos participantes.
Além disso, 26% defendem o incentivo à produção cultural independente, enquanto 22% solicitam apoio a iniciativas culturais nas comunidades marginalizadas e 21% pedem valorização dos artistas locais.
A coordenadora do observatório observa que há muito espaço para progresso, não apenas em relação à oferta de atividades culturais gratuitas, mas também em conscientizar a população sobre seus direitos culturais, visto que 32% não estão cientes de que esse acesso está assegurado pela Constituição.
Desigualdade persistente
O acesso à cultura é um direito que deve ser usufruído por todos os brasileiros. Os dados indicam que 68% sabem desse direito, porém a realidade é diferente.
Enquanto 97% dos entrevistados das classes A e B participaram de alguma atividade cultural nos últimos 12 meses, esse número cai para 82% entre as classes D e E.
Custo elevado das atividades culturais
O alto custo, incluindo transporte e entradas, desmotiva muitos a participar de eventos culturais. Esse é um fator mencionado por 35% dos entrevistados.
Entre aqueles que investem em cultura, 46% afirmam gastar até R$ 100 mensais. Outros 14% gastam entre R$ 101 a R$ 150, enquanto 15% desembolsam entre R$ 151 e R$ 200, e 8% identificam gastos superiores a R$ 400.
Insegurança como fator desmotivador
A pesquisa também destaca que a insegurança é um fator de desestímulo, citado por 30% dos entrevistados. Além disso, 47% expressaram medo de assaltos na proximidade das atividades culturais.
Os riscos de furtos e os casos de assédio nas atividades culturais afetam especialmente as mulheres, sendo essa preocupação relatada por 38% delas.
Sobre o levantamento
A 7ª edição da Pesquisa Hábitos Culturais foi realizada pelo Observatório da Fundação Itaú, com apoio técnico do Datafolha. O estudo inclui entrevistas com homens e mulheres de 16 a 65 anos, abrangendo várias classes sociais em todo o Brasil, totalizando 2.448 entrevistas entre 7 e 20 de julho de 2026.
Fonte: Agência Brasil/EBC







