A inflação registrada em agosto de 2023 teve um impacto notável, encerrando em -0,32%, o que a torna a inferior em quatro anos. Esse resultado foi influenciado por uma diminuição nos preços de alimentos e transportes, bem como pelo Bônus de Itaipu, que afetou os custos da energia.
Para comparação, a taxa de julho deste ano foi ligeiramente positiva, em 0,07%, enquanto o mesmo mês do ano anterior viu uma leve deflação de -0,11%. Os dados foram apresentados na última sexta-feira (11) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
A evolução do índice
Com a deflação de agosto, o índice acumulado nos últimos 12 meses chegou a 4,22%, o menor resultado desde março de 2026, quando foi registrado 4,14%. No mês anterior, essa soma era de 4,44%.
A inflação do IPCA de agosto superou as previsões do mercado. O Boletim Focus indicava uma expectativa de -0,23% para esse período. No entanto, a previsão de inflação para o ano permanece em 5%.
A meta estabelecida pelo Conselho Monetário Nacional (CMN) permanece em 3%, permitindo uma margem de variação de até 1,5 ponto percentual acima ou abaixo, ou seja, entre 1,5% e 4,5%.
Desde o início de 2025, o período considerado para a meta abrange os 12 meses precedentes, ao invés de um único ano encerrado em dezembro. A meta é considerada não cumprida se a inflação ultrapassar o limite de tolerância por um período de seis meses consecutivos.
Setores em análise
Dos nove grupos analisados pelo IBGE, quatro apresentaram deflação no mês de agosto.
- Alimentação e bebidas: -0,34% (impacto de -0,07 ponto percentual);
- Habitação: -1,87% (-0,29 p.p.);
- Artigos de residência: 0,64% (0,02 p.p.);
- Vestuário: 0,12% (0,00 p.p.);
- Transportes: -0,86% (-0,17 p.p.);
- Saúde e cuidados pessoais: 0,23% (0,03 p.p.);
- Despesas pessoais: 1,30% (0,13 p.p.);
- Educação: 0,47% (0,03 p.p.);
- Comunicação: -0,09% (0,00 p.p.).
Entre esses grupos, o setor de habitação teve a maior deflação registrada desde a introdução do Plano Real em 1994.
A importância do Bônus de Itaipu
A redução dos preços se deve, em parte, ao Bônus de Itaipu, um abatimento na conta de energia que, em média, foi de 7,63%. Esse bônus é resultado da redistribuição do saldo positivo da comercialização da hidrelétrica, que se reflete nos créditos nas faturas de energia elétrica.
Esse efeito foi crucial para a queda do índice, levando a menor variação do IPCA para o mês de agosto desde o início do Plano Real.
Fernando Gonçalves, analista da pesquisa, mencionou que, dado que o bônus é específico para agosto, as contas de luz refletirão essa devolução em setembro, antecipando uma possível elevação no índice nesse mês.
“Não podemos prever o resultado final, mas é razoável esperar um aumento no índice futuramente.”
Queda nos preços de alimentos
Os preços de alimentos e bebidas caíram pela terceira vez consecutiva. Em junho, a redução foi de 0,24% e, em julho, essa queda foi de 0,67%.
Os principais barateamentos no grupo incluem:
- Batata-inglesa: -19,89%;
- Cenoura: -11,22%;
- Cebola: -11,07%;
- Tomate: -10,94%;
- Ovo de galinha: -4,15%;
- Café moído: -1,86%.
Os produtos alimentícios representam 21,5% da cesta de consumo do IPCA, tornando-se o grupo com maior relevância nesse índice.
Impacto no transporte
Dentro do setor de transportes, as passagens aéreas contribuíram significativamente para a queda, apresentando uma redução de 13,17% (impacto de -0,11 p.p.). A variação negativa das passagens aéreas só é superada pela conta de luz em termos de impacto negativo no IPCA.
Os preços dos combustíveis também ajudaram a manter a inflação em queda, com uma variação de -0,86%. O etanol teve uma redução de 3,95%, enquanto o óleo diesel e a gasolina caíram 0,80% e 0,59%, respectivamente. O gás veicular, por outro lado, apresentou uma alta de 2,62%.
Transportes por aplicativos experimentaram uma diminuição de 4,57%. O IBGE considera que parte do resultado negativo em agosto é um ajuste referente ao mês anterior, onde, segundo a instituição, não foi reportado corretamente.
Difusão da inflação
O índice de difusão, que mede a disseminação da inflação entre os produtos, ficou em 54%, revelando que mais da metade dos 377 itens pesquisados pelo IBGE teve aumento de preços, em comparação aos 50% do mês anterior.
O IPCA é dividido em dois grupos: serviços, que refletem as flutuações econômicas, e preços monitorados, que são regulados por contratos, como os combustíveis.
Em agosto, o grupo serviços subiu 0,03%, enquanto os preços monitorados caíram em 1,26%.
Composição do Índice
O IPCA avalia o custo de vida para famílias com renda mensal que varia de um a 40 salários mínimos, considerando 377 itens de produtos e serviços.
Os dados são coletados em dez regiões metropolitanas do Brasil, incluindo Belém, Fortaleza, Recife, Salvador, Belo Horizonte, Vitória, Rio de Janeiro, São Paulo, Curitiba e Porto Alegre, além das capitais Brasília, Goiânia, Campo Grande, Rio Branco, São Luís e Aracaju.
*Matéria atualizada às 10h22.
Fonte: Agência Brasil/EBC








