Os recentes desastres climáticos nos lembram da urgência de inovações no setor de energia elétrica. Em Brasília, ao longo de um encontro promovido pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), especialistas discutiram como é vital investir em novas tecnologias para lidar com eventos climáticos extremos.
A presidente da Associação Brasileira das Empresas de Transmissão de Energia Elétrica (Abrate), Talita Porto, avaliou que, apesar dos investimentos em modernização e infraestrutura, a inovação é fundamental. Ela alertou que a vulnerabilidade do setor às mudanças climáticas é uma preocupação constante.
Investimentos em Pesquisa
Porto mencionou que o Instituto Abrate planeja investir R$ 5 bilhões em pesquisa e desenvolvimento nos próximos 17 meses. O foco será em criar ferramentas que aumentem a resiliência da rede elétrica às mudanças climáticas.
“É um setor estratégico, no qual a falha de uma torre pode impactar tanto a geração quanto a distribuição de energia”, enfatizou a presidente.
“Estamos lidando com um cenário onde as adaptações se fazem necessárias frente a eventos extremos” contou Patricia Audi, da Associação Brasileira de Distribuidores de Energia Elétrica (Abradee).
Audi citou exemplos recentes, como os ventos de até 140 km/h no Rio de Janeiro, que superaram em muito a resistência projetada da rede de transmissão. Ela relatou também eventos severos em Ribeirão Preto, onde ventos atingiram 160 km/h.
Esses eventos climáticos ocorreram em julho e coincidem com as previsões de um El Niño para 2026/2027, caracterizado pelo aquecimento das águas do Pacífico. Este fenômeno é conhecido por alterar padrões de chuva, exacerbando a irregularidade nas precipitações.
Marcio Rea, diretor-geral do Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS), ressaltou a importância da inovação. Durante o evento, ele indicou que os ventos em Ribeirão Preto eram do tipo redemoinho, provocando não só a queda, mas também a torção de torres de transmissão, algo sem paralelo tanto no Brasil quanto no resto do mundo.
Ele finalizou afirmando que a colaboração e o esforço conjunto do setor são essenciais para enfrentar os desafios que podem comprometer a operação e a infraestrutura da energia no país. “O fenômeno El Niño de 2026 não é apenas um evento extremo; ele destaca a urgência de aprimorarmos nossa capacidade de planejamento e adaptação”, concluiu.
Fonte: Agência Brasil/EBC







