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Home - Brasil

Luis Turiba: Luto pela partida do emblemático poeta de Salvador

Editor by Editor
26 ago 2026
in Brasil
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Na madrugada de quarta-feira (26), Salvador perdeu um de seus grandes ícones: o poeta, jornalista e ativista Luis Turiba, que faleceu em sua residência aos 76 anos, em decorrência de problemas de saúde. A família ainda não compartilhou detalhes sobre o velório e o sepultamento.

Com cinco filhos e seis netos, a produção de Turiba abrange poesias, crônicas, reportagens, video-documentários, revistas culturais e colaborações musicais, destacando a letra da canção Bico da Torre, que foi musicada por Renato Matos e gravada por artistas como Zélia Duncan (na época conhecida como Zélia Cristina) e Célia Porto.

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Obra e Legado

Registrado na obra Luminares (1983), o escritor, que era apaixonado pelo Flamengo, deixou uma mensagem única sobre a morte. Ele sugeriu, com seu jeito irônico, que os funerais fossem celebrados com a canção “Imagine”, expressando: “a morte é sempre um gol de placa aos 45 minutos do segundo tempo”. Turiba acreditava que a vida era um bem precioso que merecia ser celebrado.

Luiz Artur Toribio, conhecido como Turiba, nasceu no Recife em 1950, mas se transferiu, ainda jovem, para o Rio de Janeiro, onde se envolveu com o ativismo estudantil. Era um ex-integrante do Partido Comunista do Brasil (PCdoB) e, durante a ditadura militar (1964-1985), teve seus estudos na Escola Técnica Nacional Celso Suckow da Fonseca interrompidos.

Com apenas 17 anos, Turiba foi preso pela Justiça Militar sob acusação de envolvimento em atividades subversivas. Durante sua detenção, sofreu torturas físicas e psicológicas por parte de agentes do Destacamento de Operações de Informação – Centro de Operações de Defesa Interna (Doi-Codi).

O primeiro livro de Turiba, Kiprokó, foi lançado em 1977. Ele se destacou como repórter no Rio de Janeiro, onde colaborou com publicações como a revista Manchete e os jornais O Globo e Gazeta Mercantil. Em 1979, mudou-se para Brasília como correspondente da Gazeta e acumulou diversos prêmios jornalísticos, incluindo dois troféus Esso regionais.

Em agosto de 2024, Turiba recebeu anistia política da Comissão de Anistia, que reconheceu a luta dele contra a repressão durante a ditadura, comprovada por uma vasta documentação que ele reuniu ao longo dos anos. Além disso, o Estado brasileiro emitiu um pedido oficial de desculpas.

Com a revista cultural Bric-a-Brac, editada em Brasília de 1985 a 2022, Turiba marcou sua presença na cena artística. A publicação, que surgiu em um momento crítico de transição democrática, ficou famosa por suas entrevistas com diversas personalidades culturais e artísticas.

Após uma carreira prolífica como assessor do Ministério da Cultura, Turiba se aposentou no início da década de 2010 e passou a se dedicar exclusivamente à literatura. Embora tenha retornado ao Rio de Janeiro, ele ainda mantinha laços com Salvador e Brasília, onde amigos planejam uma homenagem em sua memória.

Reconhecimento e Homenagens

O poeta Nicolas Behr destacou que um dos maiores legados de Turiba é a revista Bric-a-Brac, reconhecendo sua inovação tanto gráfica quanto de conteúdo, além de sua influência em movimentos culturais, como o Concerto Cabeças na década de 1970.

O Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Distrito Federal também manifestou seu pesar pela perda de Turiba, descrevendo-o como um “ícone inestimável” da imprensa local, que recebeu o título de Cidadão Brasiliense. O sindicato expressou solidariedade a seus familiares, destacando que suas contribuições continuarão a inspirar futuras gerações de jornalistas.

Fonte: Agência Brasil/EBC

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