O recente estado de emergência decretado em 36 municípios do Amazonas forneceu a base necessária para a intervenção federal, vital diante da grave situação de queimadas, que está sendo exacerbada pelo fenômeno climático El Niño. Essa é a análise feita pelo ministro da Integração e do Desenvolvimento Regional, Waldez Góes, em coletiva à imprensa no último domingo (11), onde se discutiu a força-tarefa que visa combater os incêndios devastadores na região.
A operação de resposta conjunta conta com a colaboração de diferentes ministérios, brigadistas, Forças Armadas e equipes de saúde, que incluem um total de 11 aeronaves, destinadas ao combate às chamas. Na cidade de Manaus, a piora significativa na qualidade do ar resultou na suspensão de eventos ao ar livre programados para o fim de semana.
Cooperação Federal em Ação
O esforço abrange a atuação de vários órgãos do governo, como o Ministério da Integração, o Ministério do Meio Ambiente, e as Forças Armadas. Entre os recursos alocados estão aeronaves de combate ao fogo e brigadistas em campo com suporte logístico para transportar equipes e insumos. De acordo com o ministro, a Força Nacional de Saúde foi mobilizada para auxiliar aqueles afetados pela fumaça e pelos incêndios.
Além disso, o governo havia realizado, mais de 30 dias antes, workshops com autoridades locais para preparar a resposta às consequências das mudanças climáticas e dos incêndios florestais.
Conforme dados do Painel do Clima do governo estadual, o Amazonas registrou 6.901 focos de queimadas desde 1º de outubro, o que representa um aumento de 91,38% em comparação ao mesmo período do ano anterior. As áreas mais atingidas incluem o sul do estado e a região metropolitana de Manaus, com 3.485 e 1.655 ocorrências, respectivamente.
Críticas e Defesas
No decorrer da coletiva, o ministro se posicionou em resposta a críticas feitas pelo comandante do Corpo de Bombeiros do Amazonas, que mencionou a suposta recusa do governo federal em oferecer assistência ao estado. Góes esclareceu que a formalização da situação de emergência era um pré-requisito para que a União pudesse agir diretamente, e essa formalização ocorreu rapidamente.
O ministro enfatizou a importância da colaboração entre as autoridades e criticou a politicagem que possa agravar a crise, pedindo unidade no enfrentamento dos incêndios. “Seria mais prudente que o comandante dos Bombeiros contribuísse com a extinção do fogo em vez de criticar”, declarou Góes.
Qualidade do Ar Preocupa Autoridades
Em Manaus, a qualidade do ar apresentou níveis alarmantes, com uma média de 196,4 microgramas de material particulado por metro cúbico, sendo considerado crítico no último sábado (10). Embora os níveis tenham diminuído para 46,4 µg/m³ durante a noite, a Secretaria Municipal de Proteção e Defesa Civil alertou para o risco de novos episódios de poluição.
Devido ao cenário de crise, a Prefeitura de Manaus decidiu suspender atividades ao ar livre programadas para domingo e segunda-feira, com a decisão de reavaliar a situação conforme as condições ambientais se desenvolvam.
É imprescindível ressaltar que a exposição a fumaça pode intensificar problemas respiratórios e causar irritação, especialmente em grupos vulneráveis como crianças e idosos.
Integração e Mobilização Necessárias
Waldez Góes reforçou que o reconhecimento da emergência pela União é crucial para a alocação adequada de recursos e apoio às áreas afetadas. “Assim que o governo do estado formaliza a emergência, a União pode agir imediatamente, garantindo a legalidade e legitimidade da ação de cada órgão federal envolvido”, explicou o ministro.
A resposta se dá em um contexto crítico, onde incêndios florestais, seca e deterioração da qualidade do ar afetam tanto a população da capital quanto das áreas rurais do Amazonas.
Fonte: Agência Brasil/EBC






