A investigação do caso Master continuará sob a supervisão do procurador-geral da República, Paulo Gonet, após o Conselho Superior do Ministério Público Federal (MPF) votar contra seu afastamento.
Até o presente momento, o voto do relator, subprocurador-geral da República Francisco de Assis Sanseverino, prevalece, tendo sido apresentado na sexta-feira (25) e fundamentado no arquivamento total do pedido do Partido Novo. A legenda havia levantado questões acerca de uma possível prevaricação por parte de Gonet.
Determinações do Conselho
Os conselheiros Celso de Albuquerque Silva e Janice Agostinho Barreto Ascari também votaram a favor de Gonet, embora a subprocuradora tenha expressado ceticismo quanto ao arquivamento, alegando que alguns pontos ainda requerem investigação.
A análise da solicitação ocorreu por volta das 10h da sexta, com a sessão sendo suspensa para intervalo após as deliberações iniciais, programando-se sua retomada uma hora depois.
O Conselho Superior, formado por nove subprocuradores-gerais, tem como prerrogativa aprovar investigações onde o procurador-geral é indiciado, entre outras responsabilidades.
A representação do Partido Novo foi embasada por comunicações e anotações obtidas pela Polícia Federal (PF) no celular do ex-banqueiro Daniel Vorcaro, proprietário do antigo Banco Master, que levantaram suspeitas sobre Gonet.
O Voto e Argumentos do Relator
Segundo Sanseverino, não foram identificados elementos suficientes que sugerissem a prática de crimes por Gonet. “É essencial evitar a análise de mensagens fora de contexto, para não distorcer a realidade dos fatos”, destacou o relator.
Ele afirmou que a atuação do PGR durante o caso seguiu preceitos de legalidade, eficiência e respeito à independência funcional. O relator acatou a justificativa de Gonet pela não concordância com a prisão de Vorcaro, ocorrida em 17 de novembro de 2025, e frisou a falta de urgência tal que tornasse a prisão necessária naquele momento.
Em várias oportunidades, Gonet se manifestou pela manutenção da prisão preventiva de Vorcaro, enfatizando a importância de um exame minucioso das circunstâncias e dos crimes envolvidos.
Esclarecendo Rumores de Amizade
Além disso, Sanseverino também refutou a ideia de que existiria uma relação de amizade próxima entre Vorcaro e Gonet. Ele assinalou que não houve comunicação direta entre eles, o que enfraquece essa hipótese.
Uma anotação vinculada ao celular de Vorcaro, referindo-se a Gonet, foi analisada e a PF não encontrou provas de que ela foi enviada. A mensagem mencionava uma precaução nas investigações do caso Master.
Uma foto envolvendo Gonet e Vorcaro em um encontro social também foi desconsiderada pelo relator como evidência de amizade íntima, sendo enquadrada em um contexto social sem relevância que justificasse alegações mais sérias.
Relatório e Processo Criminal
Como responsável pela PGR, Gonet deve opinar sobre investigações que tramitam no Supremo Tribunal Federal (STF), como a Operação Compliance Zero. O acesso às mensagens que mencionam Gonet ocorreu após a remoção do sigilo por parte do ministro André Mendonça, em 1º de setembro.
Gonet contestou a legalidade da liberação do relatório, afirmando que a PF não deveria atuar em investigações que envolvam um colega do tribunal. O caso prossegue, com novas revelações sobre as menções a Gonet nas comunicações de Vorcaro, que permanece detido desde novembro de 2022.
Fonte: Agência Brasil/EBC







