Em São Paulo, a nova exposição intitulada “A Alfabetização do Olhar – um Ato de Amor e Responsabilidade” apresenta um importante testemunho sobre a população em situação de rua. A iniciativa, idealizada pelo artista plástico Geraldo Lacerdine, visa reforçar o papel de pessoas que, frequentemente, são ignoradas pela sociedade.
Com mais de 100 fotografias em exibição na Lacerdine Galeria de Arte, localizadas no bairro Higienópolis, a mostra presta tributo ao padre Júlio Lancellotti e destaca a atuação da Pastoral do Povo da Rua. Além das imagens, o espaço também conta com textos, instalações, vídeos, e uma coleção de prêmios acumulados pelo padre ao longo de sua trajetória.
Objetivo da Exposição
Os trabalhos expostos refletem a necessidade de mudar a percepção que se tem sobre os moradores de rua, segundo o padre Lancellotti, que enfatiza que a proposta é oferecer uma visão mais humana e complexa dessas pessoas. “Nós não queremos que sejam vistos como ‘anjos ou demônios’, mas como indivíduos reais”, declarou o padre.
O curador da exposição, Geraldo Lacerdine, destacou que o padre Júlio condicionou sua participação à inclusão ativa das pessoas em situação de rua, buscando dar a elas um espaço central na narrativa da mostra.
“O padre Júlio nos pediu que, ao homenageá-lo, fizéssemos uma exposição centrada nas experiências e vidas das pessoas em situação de rua”, explicou Lacerdine.
A exposição é um convite à reflexão que combina visões humanísticas e documentais. Algumas fotografias abordam os atos de empatia, quase como retratos sacros do padre, enquanto outras revelam a realidade dura da vida nas ruas, mas também momentos de dignidade e alegria.
Entre as imagens, destaca-se a conexão que o fotógrafo Tr3ze estabeleceu com os retratados, promovendo um ambiente de confiança, o que permitiu a captura de momentos autênticos.
De acordo com Tr3ze, a prática exige uma verdadeira imersão na vida da comunidade, onde frequentemente os retratados desconfiavam inicialmente, mas acabavam se abrindo após diálogos sinceros: “Foi assim que pude começar a registrar suas histórias em meio às filas de distribuição de alimentos”, afirmou.
A exposição permanece aberta ao público e oferece uma oportunidade singular de reconexão e aprendizado sobre a realidade de uma parte da sociedade muitas vezes invisibilizada.
Fonte: Agência Brasil/EBC








