A Operação Quimera, efetuada pela Polícia Civil do Rio de Janeiro com suporte do Ministério Público, resultou na descoberta de um esquema complexo de lavagem de dinheiro do tráfico de drogas. Avaliado em R$ 11 milhões, o plano se valia de um clube recreativo e uma pousada em Armação de Búzios.
No foco da investigação, estava o Várzea Country Club, localizado no bairro Água Santa, que existe há mais de seis décadas. Traficantes da região do Morro do Dezoito foram encontrados tentando dominar o clube para disfarçar receitas geradas ilegalmente.
Outros Alvos e Ações Judiciais
A pousada Menino do Rio, situada também em Búzios, foi outro ponto estratégico da operação. Medidas judiciais foram solicitadas para bloquear bens e ativos, além de restrições sobre veículos e investimentos das pessoas e empresas investigadas.
A origem da investigação remonta a relatos de dirigentes do Clube Social Marabu, denunciando ameaças recebidas para ceder o controle da entidade a indivíduos ligados ao tráfico de drogas.
As apurações revelaram que as intimidações vinham da liderança do Comando Vermelho, e o grupo exigia um pagamento mensal de R$ 6 mil para garantir que o clube operasse sem interrupções.
Equipe da Delegacia de Nova Iguaçu, ao investigar, encontrou vestígios de atividades semelhantes no Várzea Country Club, principal alvo da operação.
Administradores informais, de confiança da organização criminosa, haviam tomado controle do clube, gerenciando eventos e fluxos financeiros sem qualquer respaldo jurídico ou estatutário.
Foi identificada uma gestão financeira paralela dirigida por um núcleo familiar. O esquema operava com papéis claramente definidos: um indivíduo atuava como o principal responsável financeiro, enquanto outros geriam atividades do clube, movimentando R$ 2,4 milhões em seis meses, apesar de não apresentarem negócios regulares.
Outro investigado teve cerca de 40 transferências via Pix, acumulando R$ 240 mil, e já constava em vários registros policiais, muitos deles por roubo de cargas.
Além disso, uma investigada movia aproximadamente R$ 2,2 milhões durante seis meses, mesmo declarando uma renda modesta, e recebia quantias significativas de outros alvos.
A análise dos Relatórios de Inteligência Financeira (RIF) do COAF evidenciou transações milionárias que não condiziam com a renda registrada, caracterizando um sistema intrincado de movimentação de recursos para ocultar a origem ilícita do dinheiro.
A pousada Menino do Rio, de pequeno porte, com 16 quartos e diárias de R$ 540 na alta temporada, apresentou movimentações de R$ 3,44 milhões em pouco mais de seis meses, além de mais de 600 depósitos em dinheiro que totalizaram cerca de R$ 955 mil.
Segundo as investigações, o esquema abrigava tanto pessoas físicas quanto jurídicas com o intuito de encobrir a origem dos recursos, e reinserir valores oriundos do tráfico na economia formal. As movimentações somadas ultrapassam R$ 11 milhões, apresentando indícios claros de lavagem de dinheiro.
Fonte: Agência Brasil/EBC








