A resistência popular em relação à venda de terras argentinas para estrangeiros pressionou o governo do presidente Javier Milei a recuar. A proposta de ampliação dessa venda, que muitos chamaram de “estrangeirização das terras argentinas”, não obteve o apoio necessário e será retirada da pauta de votação marcada para esta quinta-feira (6).
Vários setores da sociedade, incluindo artistas e figuras políticas de diferentes ideologias, se uniram contra a proposta, trazendo à tona a lembrança histórica da Guerra das Malvinas, que envolveu Argentina e Reino Unido na década de 1980.
Uma mobilização forte
Além de ativistas e políticos, a mobilização recebeu o apoio de celebridades como a atriz Lali Espósito e o jogador Lisandro Martinez, ambos influintes nas redes sociais na Argentina. Este movimento demonstrou a força de um protesto que, segundo analistas, refletiu uma ampla oposição ao governo Milei.
A proposta revisada propunha um incremento do limite de terras permitidas para compra por estrangeiros, passando de 15% para 25% em cada província. Antes, o plano original era de retirar todos os limites, o que reacendeu as preocupações sobre a soberania nacional.
Margens de descaso na política e as pressões sociais culminaram na desistência do governo de levar a proposta à votação. Em vez disso, a administração de Milei, em face da contestação crescente, decidiu focar em um outro projeto relacionado à venda de áreas afetadas por incêndios florestais.
O impacto da memória coletiva
O ativista ambiental Hernán Hougassian mencionou que o ânimo popular contra a venda de terras foi acentuado pelo uso da frase “as Malvinas são argentinas” por jogadores da seleção argentina em um momento crucial. Este lema gerou ressentimento contra a ideia de permitir que bilionários estrangeiros comprassem vastas extensões de terras na Argentina.
A pressão popular, portanto, atuou como um catalisador na contestação a um tema sensível como a soberania nacional, levando a um racha dentro do próprio governo, evidenciado pela oposição da vice-presidente Victoria Villarruel.
A decisão de suspender o projeto de venda de terras evidencia a importância da resposta social e o movimento político que pode moldar o futuro das políticas argentinas. Os governadores também jogaram um papel fundamental, expressando suas preocupações e pressionando senadores para impedir o avanço da proposta.
A gestão de Milei agora reavalia suas abordagens, embora sem quaisquer previsões de quando ou se o assunto será reintegrado à agenda legislativa.
Desafios futuros
A discussão sobre a venda de terras estrangeiras está inserida em um contexto mais amplo de reformas propostas pelo governo, que também inclui a gestão da propriedade privada e os processos de despejo. No entanto, essa abordagem enfrenta resistência considerável.
Hernán Hougassian alerta que as medidas em debate podem levar a situações em que grandes proprietários possam incendiar áreas protegidas para fins de desenvolvimento comercial, o que representaria uma grave ameaça ao meio ambiente.
A legislação atual proíbe a venda de áreas protegidas atingidas por incêndios por um período de 30 anos, enquanto o governo defende que essas restrições sufocam a liberdade de propriedade e não protegem adequadamente o meio ambiente.
Fonte: Agência Brasil/EBC







