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Takhi: O cavalo que simboliza a restauração na Mongólia

Editor by Editor
22 ago 2026
in Brasil
Cavalos takhi no Parque Nacional Hustai, Mongólia
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No Parque Nacional Hustai, localizado na Mongólia, atualmente existem 354 cavalos selvagens conhecidos como takhi, que vagam livremente pelas paisagens de morros e estepes. Após quase 30 anos de extinção na natureza, esses animais foram reintegrados às terras mongóis por meio de um bem-sucedido projeto de restauração colaborativa que envolveu tanto pesquisadores locais quanto internacionais.

Considerado um ícone nacional, o takhi é frequentemente retratado em vestuário, brinquedos, murais e marcas comerciais, simbolizando um elemento de orgulho para a Mongólia. De acordo com Dashpurev Tserendeleg, diretor do parque, a reintrodução desse animal representa um importante retorno cultural.

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“Takhi significa respeito e admiração. Representa o espírito livre e a resistência. Estes cavalos são absolutamente especiais para os mongóis”, afirmou Tserendeleg à Agência Brasil.

Globalmente conhecido como cavalo-de-Przewalski, o takhi foi nomeado em homenagem ao explorador russo Nikolai Przhevalsky, que em meados do século XIX enviou espécimes da Ásia Central para estudiosos europeus.

Este cavalo é considerado a única espécie genuinamente selvagem que sobrevive atualmente. Outros animais rotulados como selvagens são, na verdade, descendentes de cavalos domesticados que retornaram à vida livre.

Do ponto de vista genético, os takhis se diferenciam do cavalo doméstico, apresentando 66 cromossomos em comparação aos 64 dos cavalos domesticados. Essa espécie é também um pouquinho menor, possui um focinho mais claro e uma cauda menos volumosa.

Cavalos takhi no Parque Nacional Hustai, Mongólia
Cavalos takhi correm livres por morros e estepes. Foto: Hustai National Park/Divulgação – Hustai National Park/Divulgação

Uma história de captura e extinção

A aparição do takhi para os europeus gerou grande interesse em colecionadores e zoológicos. Entre 1897 e 1903, 88 cavalos foram capturados na Mongólia, mas apenas 54 chegaram vivos ao seu destino e apenas 12 conseguiram deixar descendentes.

Durante esse período, a população selvagem do takhi começou a declinar drasticamente. O último registro do animal na natureza foi em 1968, após o que a espécie foi considerada extinta. Sua sobrevivência passou a depender dos descendentes mantidos fora de seu habitat natural.

Na década de 1970, uma ONG holandesa iniciou um programa de reprodução na esperança de reestruturar e aumentar a população cativa do takhi.

Os animais foram transferidos para reservas que ofereciam condições semelhantes ao seu habitat original, e cientistas começaram a planejar sua reintrodução na Mongólia em colaboração com a Associação Mongol para a Conservação da Natureza e do Meio Ambiente.

Em 5 de junho de 1992, 15 cavalos foram reintroduzidos no Parque Nacional Hustai. Até 2000, cinco operações de transporte levaram um total de 84 animais ao país.

Antes de serem deixados à solta, os cavalos passaram por um período de readaptação em áreas cercadas.

“Eles passaram várias gerações na Europa, em climas muito diferentes, e tinham praticamente esquecido sobre neve e lobos”, acrescentou o diretor. “Se fossem soltos diretamente, não sobreviveriam”.

O processo de adaptação foi bem-sucedido, resultando em um crescimento populacional e reprodução livre nas estepes. Hoje, além dos mais de 300 indivíduos no parque nacional, há duas populações reintroduzidas em áreas protegidas, totalizando cerca de 800 takhis na Mongólia.

A história do takhi é um exemplo de como a cooperação internacional pode ajudar a evitar a extinção de uma espécie. O parque, estabelecido em torno do projeto de reintrodução, abriga uma das três populações de takhi do país.

“Este é o nosso maior triunfo. Temos muito orgulho: o povo mongol, junto com nossos parceiros internacionais, conseguiu salvar esse magnífico mamífero da extinção e proporcionar um futuro promissor a ele”, declarou o diretor.

Diretor do Parque Nacional Hustai, Mongólia
O diretor do Parque Nacional Hustai, na Mongólia, Dashpurev Tserendeleg. Foto: Hustai National Park/Divulgação

Desafios na conservação

Com 50 mil hectares, Hustai é um dos menores parques nacionais da Mongólia, administrado por uma ONG que não conta com subsídios regulares do governo. Cerca de 90% dos recursos do parque provêm do turismo.

A continuidade da conservação do takhi nos anos vindouros está fortemente ligada à preservação das estepes, que enfrentam crescentes desafios devido às mudanças climáticas e à expansão do rebanho, que pressiona a terra já comprometida.

Atualmente, a Mongólia possui aproximadamente 58 milhões de animais de rebanho, conforme o Censo de 2025 do Escritório Nacional de Estatísticas. Os rebanhos são compostos principalmente por ovelhas, cabras, vacas e cavalos. O excedente de animais em algumas áreas, aliado a secas e invernos rigorosos, está contribuindo para a degradação dos pastos.

A proteção e recuperação do solo são temas centrais na 17ª Conferência das Nações Unidas de Combate à Desertificação (COP17), que ocorre em Ulaanbaatar, capital da Mongólia. O evento reúne governos para discutir estratégias contra a desertificação, restauração de terras danificadas e fortalecimento de resiliência em épocas de seca.

Nos arredores do parque, a estratégia adotada visa criar alternativas econômicas para as famílias nômades, reduzindo a dependência da pecuária e a pressão para aumentar o rebanho.

O parque incentiva iniciativas que incluem turismo comunitário, agricultura em estufas e produção artesanal.

“Se os pastores puderem contar com outras fontes de renda, não será necessário aumentar tanto o número de animais”, concluiu Tserendeleg. “Protegendo a natureza, garantimos a proteção do parque”.

*O repórter viajou para a Mongólia convidado pela Convenção das Nações Unidas de Combate à Desertificação (UNCCD), após uma seleção entre jornalistas de diferentes partes do mundo.

Fonte: Agência Brasil/EBC

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