No dia 13 de setembro de 1987, dois catadores de lixo descobriram um equipamento de radioterapia abandonado no Instituto Goiano de Radioterapia (IGR), em Goiânia. Wagner Mota Pereira e Roberto Santos Alves levaram o equipamento para casa, onde removeram o lacre da cápsula e encontraram um pó brilhante, que era césio-137, um material altamente radioativo.
O incidente se tornou o maior acidente radiológico da história do Brasil, recontado no curta-metragem Lourdes e Leide, dirigido por Angelo Lima, exibido no Festival Bonito CineSur, em Mato Grosso do Sul. O documentário retrata o sofrimento de dona Lourdes, que perdeu a filha Leide, de apenas 6 anos, devido à exposição ao césio.
“Foi uma tragédia silenciosa”, afirmou o diretor, que responsabiliza o Estado pela falta de informação sobre os perigos do material. A substância chegou à casa de Lourdes e Leide após os catadores venderem o material a um ferro-velho, onde foi distribuído entre amigos e familiares, causando sintomas graves e mortes.
Leide morreu poucos dias após a exposição, e seu corpo precisou ser enterrado em um caixão de chumbo. Outras três pessoas também faleceram em decorrência do acidente. Recentemente, dona Lourdes perdeu outro filho, Lucimar, que enfrentou problemas de saúde relacionados ao trauma do acidente.
O curta foi exibido no Bonito CineSur, que também promove uma exposição de fotos sobre o acidente. O diretor enfatiza a necessidade de a sociedade estar mais preparada para enfrentar tragédias como essa, destacando que a memória do ocorrido não deve ser esquecida.
Fonte: Agência Brasil / EBC








