A derrota do Corinthians por 4 a 1 para o Palmeiras, neste domingo (11), no Nubank Parque, aumentou a pressão sobre o clube e provocou um forte desabafo de Gabriel Paulista. Após o clássico pela 30ª rodada do Campeonato Brasileiro, o zagueiro criticou a postura da diretoria, relatou os impactos dos atrasos salariais e pediu união entre os jogadores para reverter o cenário.
Com 18 anos de carreira, o defensor afirmou que já enfrentou diferentes situações no futebol, mas destacou que, em outros clubes, encontrou dirigentes que protegiam o elenco nos momentos mais difíceis. Na avaliação dele, essa postura não tem sido observada no Corinthians.
Zagueiro cobra posicionamento da diretoria
Gabriel Paulista afirmou que os jogadores precisam assumir a responsabilidade pelos resultados dentro de campo, mas cobrou maior participação dos dirigentes na proteção do grupo.
“Lógico que quem dá a cara ali dentro somos nós, os jogadores, e a gente tem que dar a vida, sim, temos que defender o escudo que a gente veste, respeitar o Corinthians. Mas tem muita gente aqui dentro que não respeita esse clube, talvez não saiba o que significa isso, e eu sei bem o que significa isso daqui”, declarou.
O zagueiro também afirmou que está disposto a sustentar suas críticas caso seja questionado por integrantes da diretoria. Segundo ele, o problema vai além do desempenho esportivo e envolve a maneira como o clube conduz a situação interna.
Atrasos afetam jogadores e funcionários
Um dos principais pontos do desabafo foi a situação financeira dos profissionais que trabalham no Corinthians. Gabriel pediu que o clube regularize os pagamentos não apenas dos atletas, mas também dos funcionários.
O defensor explicou que sua trajetória profissional lhe permite enfrentar dificuldades financeiras por algum tempo, mas demonstrou preocupação com os jogadores mais jovens, especialmente aqueles que estão começando a carreira e ainda precisam ajudar suas famílias.
“Eu também já vivi isso, que eu ganhava pouco e minha família precisava de mim. Eu vim de uma família pobre e não conseguia ajudar”, relatou.
O jogador ainda contou que se colocou à disposição para ajudar colegas que estejam passando por dificuldades. Para ele, a necessidade de um atleta recorrer à ajuda de outro integrante do elenco evidencia a gravidade do problema.
“Isso é uma vergonha para um clube do tamanho do Corinthians”, afirmou.
Elenco promete permanecer unido
Apesar das críticas à direção, Gabriel Paulista procurou transmitir uma mensagem de confiança na capacidade de reação do grupo. O zagueiro disse acreditar que o elenco tem condições de conquistar os pontos necessários para afastar o risco de rebaixamento.
“Passar para os torcedores que esse grupo é muito bom e a gente vai conseguir os resultados necessários para sair dessa, só que vai ser só a gente. A gente vai se reunir, vai se juntar cada vez mais e, se tiver que morrer, vai morrer todo mundo junto”, declarou.
A fala reforça a intenção dos jogadores de buscar uma resposta coletiva em meio à sequência negativa e à pressão crescente da torcida.
Corinthians tenta reagir sob novo comando
O Timão chegou à oitava derrota consecutiva no Brasileirão após o revés no Dérbi e permanece próximo da zona de rebaixamento. Paralelamente, o clube enfrenta dificuldades financeiras, com atrasos salariais e dívidas estimadas em mais de R$ 2,8 bilhões, conforme os números apresentados no cenário atual.
Após a demissão de Fernando Diniz, Clarence Seedorf foi anunciado como novo treinador. A expectativa é que o holandês faça sua estreia contra o Vitória, na próxima rodada, na Neo Química Arena.
O desafio será interromper a sequência de derrotas e conduzir o Corinthians a uma reação na reta final do campeonato, em meio à pressão esportiva e aos problemas financeiros relatados pelo elenco.







