A partir do dia 17 de agosto, Ulaanbaatar, a capital da Mongólia, será palco da 17ª Conferência das Partes (COP17) da Convenção das Nações Unidas para o Combate à Desertificação (UNCCD). Este encontro reunirá representantes de 196 nações e da União Europeia para discutir estratégias frente a desafios ambientais que comprometem a biodiversidade e a segurança alimentar no mundo.
O evento, que se estende até 28 de agosto, abordará a degradação dos solos e os impactos da seca sob o tema “Restaurando a terra. Restaurando a esperança”. Durante a conferência, haverá discussões lideradas por chefes de Estado, ministros e acadêmicos, além de representantes da sociedade civil e do setor privado. Em destaque, as lideranças de Yasmine Fouad, da UNCCD, e de Battsetseg Batmunkh, ministra das Relações Exteriores da Mongólia, que presidirá a COP17.
O Brasil estará presente, com diversas lideranças do setor público e privado focadas nas questões debatidas. O Pavilhão Brasil funcionará na Blue Zone e abrigará discussões sobre inovação tecnológica, políticas públicas e projetos de instituições de pesquisa.
No Brasil, a desertificação impacta regiões áridas e semiáridas, notadamente na Caatinga, abrangendo todos os estados do Nordeste e partes de Minas Gerais. Estima-se que 18% do território nacional esteja suscetível a este problema, que afeta cerca de 39 milhões de pessoas.
A desertificação se caracteriza pela degradação de terras em áreas secas, onde a precipitação é inferior à evaporação. Esse fenômeno resulta em perda progressiva da biodiversidade e capacidade produtiva do solo. As principais causas incluem desmatamento, práticas agrícolas inadequadas e variações climáticas.
Por que Ulaanbaatar?
A escolha da Mongólia para sediar a COP17 é significativa, pois o país é um dos mais afetados pela degradação da terra e pela seca. Com cerca de 77% de seu território comprometido, a crise tem impactos diretos no desenvolvimento econômico e na subsistência de um terço da população.
A Mongólia também enfrenta o fenômeno climático denominado “dzud”, um ciclo de secas severas seguido de invernos rigorosos, que entre 2023 e 2024 resultou na morte de mais de 7 milhões de gado e forçou muitos a migrar para Ulaanbaatar em busca de melhores condições de vida.
Atividades Programadas
A programação da COP17 incluirá sessões de abertura, fóruns sobre temas específicos e discussões sobre a restauração de terras e a resiliência ao clima. Na segunda semana, destacam-se eventos com líderes globais, focando em finanças, metas de combate à degradação e o bem-estar das comunidades afetadas.
Relatórios da UNCCD apontam que a degradação da terra afeta diretamente 1,5 bilhão de pessoas no mundo, com quase 40% das áreas do planeta já degradadas. A aridificação é um tema central, refletindo a transição de áreas úmidas para secas, afetando significativamente a quantidade de terras habitáveis.
A secretária-executiva da UNCCD, Yasmine Fouad, enfatiza a urgência da agenda, ressaltando que o verdadeiro desafio é agir de forma preventiva para mitigar os impactos das secas.
“O desafio não é mais reconhecer a seca como um risco global, mas, sim, agir com antecedência para evitar que seus impactos se propaguem em cascata”, observa Fouad.
Os custos anuais associados à degradação da terra e à seca ultrapassam 878 bilhões de dólares, e estima-se que sejam necessários 2,6 trilhões de dólares até 2030 para restaurar 1 bilhão de hectares de terras degradadas.
Histórico da UNCCD
A UNCCD faz parte do “Trio do Rio”, um grupo de três convenções estabelecidas durante a Conferência das Nações Unidas sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento em 1992. As demais são a Convenção sobre Diversidade Biológica e a Convenção sobre Mudanças Climáticas.
A COP da desertificação e a COP da biodiversidade ocorrem a cada dois anos, com a próxima reunião da biodiversidade marcada para outubro em Yerevan, Armênia. O Brasil já sediou a COP3 em Recife, em 1999, e há movimentações para que o país receba a próxima edição da COP em 2028, na Região Nordeste.
Cobertura da COP17
A Agência Brasil realizará a cobertura da COP17 diretamente de Ulaanbaatar, em parceria com a UNCCD. Estão programadas publicações relevantes que explorarão como os temas debatidos impactam o Brasil.
Fonte: Agência Brasil/EBC







