As preocupações com a segurança impactaram a decisão de Jurandy Pacífico, filho da importante liderança quilombola Mãe Bernadete, que anunciou sua desistência à candidatura para deputado federal na Bahia, prevista para as próximas eleições. Essa escolha, motivada por possíveis ameaças e pelo medo de ser mais um a sofrer represálias, reflete a realidade de vários defensores de direitos humanos na região.
“O desejo de alterar a situação das comunidades quilombolas era forte, mas a voz da família me aconselhou a não prosseguir. Às vezes, é essencial recuar para avançar na luta”, afirmou Jurandy.
Essa declaração foi feita à Rádio Nacional, ainda antes da formalização da desistência junto à Justiça Eleitoral.
Segundo Jurandy, o apoio dos familiares pesou em sua decisão, pois sua intenção de representar as comunidades no Congresso foi interrompida pela necessidade de priorizar a segurança familiar. O anúncio oficial de sua renúncia também foi feito em suas redes sociais.
Em uma carta endereçada à Justiça Eleitoral, ele descreve essa decisão como profundamente difícil e dolorosa, enfatizando sua candidatura tinha como foco a melhora das condições de vida das comunidades tradicionais da Bahia.
Apesar de renunciar à disputa, Jurandy reafirma seu compromisso com a luta dos povos quilombolas e tradicionais: “A desistência na candidatura não significa desistir da luta. Continuaremos firmes em nossos princípios e ideais, buscando segurança e sobrevivência. Nossa batalha continua!”
Felipe Freitas, secretário de Justiça e Direitos Humanos da Bahia, expressou seu pesar pela decisão de Jurandy, ressaltando a preocupação com a segurança dos defensores que buscam mudar a realidade social e política do estado. Freitas mencionou que a Polícia Militar tem implementado uma estratégia contínua de segurança para Jurandy e os demais membros da família de Mãe Bernadete desde o ocorrido trágico.
Jurandy é o único filho sobrevivente de Mãe Bernadete, cuja luta por justiça e direitos humanos continua a impactar a comunidade.
Após ouvir conselhos de familiares e aliados, a decisão de preservar a vida e a segurança se tornou uma prioridade para Jurandy. Ele concluiu: “Após a reflexão, percebi que seguir na candidatura poderia aumentar ainda mais os riscos que enfrentamos.”
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Fonte: Agência Brasil/EBC








