A partir de 2027, os novos membros do Congresso Nacional, que comporão a 58ª Legislatura (2027-2031), serão majoritariamente contrários à agenda ambiental e climática. De acordo com a análise, a cada dez parlamentares, sete se opõem às pautas socioambientais. 

A informação provém de uma análise do Observatório do Clima, que avalia o grau de alinhamento e os votos dos parlamentares em relação às pautas climáticas e ambientais.
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A metodologia utilizada pelo Instituto Democracia e Sustentabilidade estabelece quatro categorias para avaliar o percentual de alinhamento: muito baixa (0 a 25%), baixa (26 a 50%), boa (51 a 69%) e muito boa (70 a 100%).
A nova legislatura resultou em um índice de convergência baixo, de 68,9%, nas duas Casas do Congresso Nacional. Nesse contexto, foram identificados 201 (33,8%) parlamentares na faixa de muito baixo e 208 (35%) na faixa baixa.
Somente 52 (8,75%) parlamentares se enquadram na faixa boa, enquanto 133 (22,4%) foram classificados na faixa muito boa.
Suely Araújo, coordenadora de Políticas Públicas do Observatório do Clima, aponta que essa situação representa uma ameaça significativa à proteção ambiental no país. Isto pode resultar em retrocessos, como a desconfiguração dos órgãos ambientais, anistia para invasores de terras, e a redução da proteção às florestas e biomas nacionais.
Senado
No Senado, o cenário é ainda mais preocupante, com 79% de seus membros eleito apresentando índices baixos ou muito baixos, ou seja, 64 dos 81 senadores da próxima legislatura não estão alinhados com iniciativas de conservação, resposta às mudanças climáticas e urbanização sustentável.
Apenas 17 senadores correspondem a 21% dos integrantes estão nas faixas de convergência boa ou muito boa, sendo 12 (14,8%) na faixa boa e apenas 5 (6,1%) na faixa muito boa.
Comparando com a legislatura anterior, houve um aumento no desvio em relação às pautas ambientais, passando de 58 (71,6%) para 64 (79%) senadores com baixa ou muito baixa convergência ambiental.
Câmara
Entre os 513 deputados que farão parte da Câmara, 67,3% estão entre as categorias de baixo ou muito baixo, totalizando 345 parlamentares. Os que se destacam na faixa boa somam 40 (7,8%) e 128 (25%) na categoria muito boa.
Segundo a avaliação do Observatório do Clima, essa deterioração é resultado da expansão de partidos de extrema direita, que historicamente têm uma baixa convergência em questões ambientais.
O Partido Liberal (PL) aumentou seu número de cadeiras, passando de 15 para 28 no Senado (34,6%) e de 98 a 121 deputados na Câmara (23,6%).
“Esse quadro acentua a preocupação com os futuros desafios enfrentados por aqueles que atuam na área de clima e meio ambiente, além dos riscos de retrocessos significativos e suas consequências na crise climática”, ressalta Suely Araújo.
Metodologia
Além da plataforma Farol Verde, desenvolvida pelo Instituto Democracia e Sustentabilidade, foram utilizadas fontes oficiais como Câmara, Senado e assembleias legislativas para categorizar parlamentares ainda não classificados no índice de convergência ambiental.
Fonte: Agência Brasil/EBC







