Na última quinta-feira (27), o Brasil deu um passo importante em sua estratégia de diversificação comercial ao firmar um memorando de entendimento com a Índia. Este compromisso, estabelecido entre a Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (ApexBrasil) e a Confederação das Indústrias Indianas, visa conectar empresas e fomentar investimentos mútuos entre os dois países.
A assinatura do acordo ocorre em um momento em que o governo brasileiro busca mitigar os efeitos das sobretaxas dos Estados Unidos sobre produtos nacionais. Enquanto isso, o Brasil também se prepara para renegociar com os EUA.
Desdobramentos da Parceria
O memorando, assinado na sede da ApexBrasil em Brasília, estabelece diretrizes para intercâmbio de informações e a promoção conjunta de feiras, além de incentivar a internacionalização de pequenas e médias empresas. Importante frisar que o acordo é de caráter não vinculante, o que significa que não impõe obrigações legais às partes.
O objetivo é criar uma sustentação institucional para facilitar investimentos e negócios conjuntos, almejando elevar o comércio bilateral a US$ 20 bilhões até 2030. Em 2022, as exportações brasileiras para a Índia chegaram a quase US$ 7 bilhões, o maior índice das últimas duas décadas, enquanto as importações totalizaram mais de US$ 8,4 bilhões.
Atualmente, a Índia é o décimo destino das exportações brasileiras, ao passo que o Brasil ocupa a 26ª posição entre os fornecedores indianos.
Comércio Brasil-Índia em Números
- Meta de comércio bilateral até 2030: US$ 20 bilhões
- Valor do comércio em 2025: US$ 15,2 bilhões
- Exportações para a Índia em 2025: US$ 6,9 bilhões
- Importações de produtos indianos em 2025: US$ 8,4 bilhões
- Crescimento das transações comerciais: 82% nos últimos anos
- Oportunidades para produtos brasileiros: 378 identificadas pela ApexBrasil
- Linhas de produtos no acordo com o Mercosul: 450 tipos e subtipos
Diversificação das Relações Comerciais
O ministro Márcio Elias Rosa ressaltou que expandir as relações comerciais com múltiplos países é uma prioridade do governo, considerando as nuances do comércio global.
“O Brasil está investindo na diversificação de mercados, com um foco intenso em novas oportunidades. A Índia, por exemplo, ilustra bem esta necessidade de ampliar as relações comerciais. O crescimento com este país é significativo.”
Conforme o ministro, o aumento nas trocas comerciais entre Brasil e Índia foi de 82% nos anos recentes. Além disso, há planos para aperfeiçoar o atual acordo de preferências tarifárias entre o Mercosul e a Índia, que atualmente abrange 450 linhas de produtos, detalhadas por categorias específicas.
A ApexBrasil ainda identificou 378 oportunidades para produtos brasileiros no mercado indiano, apoiando cerca de 10 projetos focados nessa nação, incluindo ações em colaboração com entidades do setor agrícola.
Setores de Interesse
A cooperação entre Brasil e Índia abrange setores considerados estratégicos, como farmácia, bioenergia, biocombustíveis e dispositivos médicos.
Outro foco de atenção é a exploração de minerais críticos. O Brasil busca expandir suas parcerias nesse segmento, garantindo que as iniciativas estejam ligadas ao desenvolvimento de tecnologia nacional.
“O Brasil deseja colaborar na exploração de minerais com todos os países, sem favorecer nenhum em detrimento de outros,” enfatizou Rosa.
A estratégia pode beneficiar ainda mais o agronegócio brasileiro, que procura fortalecer sua presença nos mercados internacionais, reduzindo a dependência de destinos específicos.
Negociações com os EUA
Enquanto estabelece laços mais robustos com a Índia, o governo brasileiro se prepara para uma reunião crucial com representantes dos EUA, a primeira desde a implementação das novas tarifas.
O ministro Rosa mencionou que a recente conversa entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o presidente Donald Trump foi fundamental para reabrir as negociações, sem exigir concessões unilaterais do Brasil.
Na reunião marcada para a próxima segunda-feira (31), estarão em pauta eventuais listas de exceções tarifárias e a implementação da Lei de Reciprocidade.
O governo se compromete a continuar adotando medidas de proteção às empresas brasileiras impactadas pelas sobretaxas americanas, incluindo o programa Brasil Soberano, direcionado a apoiar os setores afetados.
Defesa da Soberania Nacional
Embora reconheça a complexidade das negociações, o ministro reafirmou o compromisso de preservar os interesses brasileiros.
“Um negociador pessimista falha. Portanto, sou otimista. Entretanto, o diálogo será desafiador. Não iremos sugerir nada que não beneficie o Brasil. Jamais proporemos algo que possa prejudicar nossa economia.”
A abordagem do governo é, portanto, uma combinação de esforços para atenuar os efeitos negativos das medidas comerciais dos Estados Unidos, ao passo que abre novas oportunidades de exportação e investimento. A Índia se apresenta como um dos mercados prioritários para expandir a presença comercial brasileira.
Fonte: Agência Brasil/EBC








