Na última sexta-feira (25), o Conselho Superior do Ministério Público Federal (CSMPF) optou por não iniciar uma investigação referente ao procurador-geral Paulo Gonet, decidindo por 5 votos a 4 nesta votação.
As menções ao procurador surgiram em diálogos interceptados pela Polícia Federal (PF) no telefone do ex-banqueiro Daniel Vorcaro, que se encontra em detenção.
Decisão do Colegiado
O colegiado também rejeitou um pedido feito pelo Partido Novo visando investigar Gonet por prevaricação, mantendo-o à frente dos processos relacionados às irregularidades no Banco Master. Na votação, a permanência do procurador em sua função recebeu apoio unânime, com 9 votos a 0.
Postura dos Conselheiros
A defesa de não investigar foi liderada pelo relator Francisco Sanseverino e apoiada por outros subprocuradores, como Celso Albuquerque e Hidenbugo Chateaubriand. Por outro lado, quatro subprocuradores, incluindo Janice Ascari, votaram a favor da abertura do inquérito.
Chateaubriand, ao justificar sua posição, afirmou que apenas a Justiça poderia determinar o afastamento de Gonet e negou a existência de qualquer ligação íntima entre ele e Vorcaro.
“Não existem evidências que indiquem qualquer amizade íntima do procurador-geral com o investigado. É inusitado considerar alguém como amigo íntimo se não consta em sua agenda telefônica”, declarou.
A subprocuradora Ana Borges enfatizou que a situação do Banco Master poderia ser vista como um “escândalo de corrupção” e argumentou que Gonet não deveria ter buscado a anulação do relatório da PF onde seu nome foi mencionado.
“Existem elementos suficientes para caracterizar, em tese, o dolo específico para imputar ao procurador o crime de prevaricação, justificando assim uma investigação criminal”, completou.
Mensagens Reveladoras
As menções a Gonet vieram à tona após o ministro André Mendonça, do STF, levantar o sigilo da investigação que também inclui mensagens de Vorcaro para o telefone do ministro Alexandre de Moraes.
A PF apontou que Vorcaro intensificou a troca de mensagens com Moraes antes de sua prisão, que ocorreu em 17 de novembro do ano passado.
No dia 15 de novembro de 2025, Vorcaro expressou inquietação com o desenrolar da investigação e mencionou Gonet e o diretor da PF, Andrei Rodrigues, afirmando: “Não conseguimos reverter isso com Paulo ou Andrei? Muita sacanagem isso. Isso em Brasília?”.
Ainda que tenha sido citado, não existem indícios de que Gonet e Andrei tenham influenciado as investigações.
Recentemente, o jornal O Globo divulgou uma foto de Gonet ao lado de Vorcaro em um evento jurídico promovido pelo Banco Master em abril de 2024, em Londres.
Após a divulgação das mensagens, Gonet negou qualquer proximidade com Vorcaro, alegando que a interação entre eles foi “brevíssima e banal”.
Fonte: Agência Brasil/EBC







