A reportagem da revista britânica The Guardian, divulgada na última quarta-feira (30), revelou que os Estados Unidos alocaram um valor de US$ 1 milhão (aproximadamente R$ 5,1 milhões) para uma campanha que visa contestar as ações do Supremo Tribunal Federal (STF) do Brasil.
“A quantia de US$ 1 milhão, comparada ao projeto Combate ao Lawfare e à Censura no Brasil, tem como objetivo financiar grupos da sociedade civil que se opõem ao que é definido como abusos judiciais e censura promovidos pela Suprema Corte brasileira”, disse a publicação.
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Esses recursos foram designados pelo Congresso americano ao Fundo de Direitos Humanos e Democracia (HRDF), mas não foi esclarecido se os valores já foram transferidos ou permanecem apenas em compromisso para iniciativas definidas pela Casa Branca.
A publicação destacou que, no ano anterior, o governo de Donald Trump estabeleceu sanções contra Alexandre de Moraes, um dos ministros do STF, após pressão de Eduardo Bolsonaro, filho do ex-presidente.
Na sequência de eventos relativos à tentativa de golpe no Brasil, que resultou na condenação do ex-presidente Jair Bolsonaro a 27 anos de prisão, o STF se tornou o foco de críticas do governo Trump.
Além disso, Washington expressou descontentamento em relação às restrições impostas pelo STF às plataformas digitais norte-americanas, com o intuito de conter delitos na internet. O governo Trump tem pressionado nações a não imporem regulamentações direcionadas às bigtechs.
Fonte: Agência Brasil/EBC
A Agenda Global de Trump
The Guardian também informou que teve acesso a documentos do Departamento de Estado dos EUA, sob a liderança de Marco Rúbio, que detalham o investimento de US$ 176,9 milhões (cerca de R$ 918 milhões) para 43 iniciativas visando promover a política do governo Trump em diversos países.
Os jornalistas Andrew Roth e Joseph Gedeon relataram que houve pressão de servidores do governo Trump por esses fundos, refletindo preocupações sobre a suposta erosão dos valores ocidentais tradicionais na Europa, assim como as iniciativas de Stephen Miller contra imigração e a defesa de minorias em contextos como o da África do Sul.
Para o Reino Unido, foi previsto um financiamento de US$ 5 milhões (cerca de R$ 25,9 milhões) voltado para uma organização que se opõe a legislações de segurança online e combate ao discurso de ódio, incluindo a Lei de Segurança Online da Grã-Bretanha (Ofcom), que foi aprovada em 2023.
“Destinada a proteger crianças de conteúdos prejudiciais e monitorada pela Ofcom, a legislação contém regras de verificação de idade que já foram criticadas pela administração Trump, a qual as considera como censura”, afirmou a revista.
Um dos principais beneficiários dos recursos do governo Trump seria a Fundação Memorial de Vítimas do Comunismo, liderada por Andrew Bremberg, ex-assessor de política interna da Casa Branca durante a gestão Trump, que receberia US$ 40 milhões (aproximadamente R$ 207,6 milhões).
Em resposta direta ao questionamento do The Guardian, o Departamento de Estado dos EUA afirmou que as iniciativas na Europa visam apoiar “nossos aliados na defesa desses direitos e princípios, bem como fortalecer sua confiança civilizacional e soberania contra aqueles que tentam miná-los”.







