Uma nova peça significativa foi incorporada ao acervo do Museu Nacional no Rio de Janeiro. Trata-se de um vestido branco adornado com detalhes azuis, que pertenceu a Mãe Bernadete, uma respeitada yalorixá e liderança da Comunidade Quilombola de Pitanga de Palmares, que perdeu a vida em 2023. Essa comunidade está localizada em Simões Filho, na Região Metropolitana de Salvador, na Bahia.
A entrega do vestido foi realizada pelo professor Jurandy Pacífico dos Santos, filho de Mãe Bernadete, durante a terceira edição do evento Diálogos da Reconstrução, cujo tema este ano foi Memórias, Saberes e Patrimônios Quilombolas. O evento aconteceu nas instalações do Museu Nacional, em São Cristóvão, na Zona Norte do Rio de Janeiro.
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[A doação] busca valorizar e resgatar as histórias, saberes e práticas das comunidades quilombolas como verdadeiros patrimônios vivos.
O professor Jurandy mencionou que recebeu um pedido de doação do Museu e decidiu contribuir com um item que representa um legado além do vestuário. “A entrega dessa indumentária não é meramente a doação de um objeto, mas a transmissão da ancestralidade e da luta por direitos”, explicou, ressaltando a importância de manter viva a memória de sua mãe.
Segundo ele, a presença do vestido no Museu Nacional serve para fortalecer a cultura afro-brasileira e honrar a história de um povo frequentemente marginalizado. “Isso simboliza um reconhecimento e uma forma de empoderamento para aqueles que sempre foram subestimados”, completou Jurandy.
Jurandy também ressaltou a importância dessa doação para a sua família, destacando que vai além do simbolismo, sendo uma continuação da história de luta de Mãe Bernadete. Isto é crucial para preservar sua memória e o legado que deixou como defensora dos direitos humanos e líder quilombola.
O Assassinato de Mãe Bernadete
Mãe Bernadete foi brutalmente assassinada em 17 de agosto de 2023, em sua comunidade, após um ataque em sua residência, onde foram disparados 25 tiros, muitos deles visando seu rosto. O Ministério Público atribuiu o crime à sua atuação contra o tráfico de drogas na região.
Desde 2017, Mãe Bernadete fazia parte de um programa de proteção, após a morte de seu filho, Binho do Quilombo.
Fonte: Agência Brasil/EBC








