A elevação da Dívida Pública Federal (DPF) em setembro, com um aumento de 0,97%, levanta preocupações sobre a saúde financeira do país. Os dados, apresentados pelo Tesouro Nacional, revelam que a DPF passou de R$ 9,293 trilhões em agosto para R$ 9,383 trilhões no mês passado.
Embora a dívida tenha superado a marca de R$ 9 trilhões em maio deste ano, sua alta não chega a ser alarmante, uma vez que ainda permanece abaixo dos números projetados.
Composição da Dívida e Emissões
Em setembro, o governo emitiu R$ 3,78 bilhões a mais do que resgatou, o que representa um valor reduzido em comparação com os padrões históricos. Ademais, a apropriação de R$ 89,29 bilhões em juros atuou como um fator que impediu a retração do endividamento.
Atualmente, a Dívida Pública Mobiliária interna (DPMFi) cresceu 1,04%, subindo de R$ 8,944 trilhões para R$ 9,037 trilhões durante o mesmo mês. O Tesouro também reportou que as emissões de DPMFi totalizaram R$ 189,44 bilhões, enquanto os resgates atingiram R$ 185,66 bilhões, impulsionados por vencimentos vinculados à Taxa Selic.
Por outro lado, a Dívida Pública Federal externa (DPFe) viu uma redução de 0,82%, passando de R$ 348,26 bilhões em agosto para R$ 345,41 bilhões em setembro, consequência da estabilidade do dólar e do pagamento de cerca de R$ 3 bilhões.
Reservas Financeiras e Composição da Dívida
Em um aspecto positivo, a reserva financeira, conhecida como colchão da dívida pública, aumentou de R$ 1,208 trilhão em agosto para R$ 1,273 trilhão em setembro. Isso possibilita uma cobertura de 7,71 meses para os vencimentos da dívida pública, com um total de R$ 1,87 trilhão previsto para próximos 12 meses.
A composição dos tipos de títulos da DPF variou, com títulos indexados à Selic diminuindo de 52,74% para 51,6%, enquanto aqueles corrigidos pela inflação e prefixados apresentaram leves aumentos.
Participação de Investidores Estrangeiros
A participação de investidores não residentes na Dívida Pública interna caiu de 9,91% em agosto para 9,58% em setembro, um reflexo da crescente incerteza no mercado financeiro, exacerbada por conflitos internacionais. Essa redução na fatia estrangeira pode refletir uma menor confiança no cenário econômico brasileiro.
O governo continua a utilizar a dívida pública como uma forma de captar recursos disponíveis no mercado, com a promessa de devolução após determinado período, com correções que podem variar entre a inflação, a Selic ou a taxa de câmbio.
Fonte: Agência Brasil/EBC








