A sexta-feira foi marcada por um aumento expressivo na cotação do dólar, que fechou a R$ 5,44, refletindo uma pressão acentuada no mercado financeiro brasileiro. O principal índice da B3, o Ibovespa, recuou 0,75%, alcançando 167,9 mil pontos.
Durante a semana, a moeda norte-americana valorizou-se em mais de 9%, representando a maior alta semanal desde a crise financeira de 2008. Em contrapartida, o principal índice da bolsa registrou uma das piores quedas desde março de 2020, início da pandemia de Covid-19.
A recente volatilidade é resultado de reações do mercado à reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e à incerteza envolvendo as políticas fiscais do país. Globalmente, a desvalorização de ações de empresas de tecnologia e inteligência artificial também impactou negativamente os mercados.
Números do dia
- Dólar à vista: R$ 5,446 (+1,09%);
- Máxima do dólar: R$ 5,463, por volta das 16h;
- Ibovespa: 167.921,80 pontos (-0,75%);
- Alta do dólar na semana: +9,15%;
- Queda do Ibovespa na semana: -18,12%;
- Valorização do dólar em outubro: +5,27%;
- Desvalorização do Ibovespa em outubro: -9,88%.
Câmbio
A cotação do dólar comercial teve um fechamento em alta de 1,09%, valendo R$ 5,446, o valor mais elevado registrado até agora em 2026. Ao longo do pregão, a moeda atingiu a marca de R$ 5,463 antes de recuar.
Após o segundo turno das eleições presidenciais, o dólar teve uma valorização acumulada de 9,15%, representando a maior alta semanal desde outubro de 2008, quando a crise financeira internacional começou a se intensificar.
No mês de outubro, a moeda americana subiu 5,27%, totalizando um crescimento acumulado de 0,81% no ano.
A intensidade da volatilidade observada no início do pregão deve-se em parte ao cálculo da Ptax de fim de mês, uma taxa estabelecida pelo Banco Central que é referência para liquidações de contratos futuros de câmbio.
A pressão sobre o real também foi amplificada pela reavaliação dos investidores após o resultado das eleições, com destaque para a expectativa de formação da equipe econômica do novo governo e possíveis medidas relacionadas às finanças públicas.
Por fim, a busca por proteção cambial antes de um feriado prolongado também influenciou a cotação. No cenário internacional, o dólar subiu frente a outras moedas de países emergentes, em meio a um clima instável ligado ao setor tecnológico.
Bolsa acumula perdas
O Ibovespa terminou a sexta-feira com uma redução de 0,75%, fixando-se em 167.921,80 pontos. Este foi o quinto dia consecutivo de perdas para o principal índice da bolsa brasileira.
Na semana, o índice sofreu uma desvalorização de 18,12%, a mais significativa desde março de 2020, quando enfrentou um recuo de 18,88% devido ao impacto inicial da pandemia de Covid-19.
No acumulado do mês, o Ibovespa teve uma queda de 9,88%, a pior desde junho de 2022, quando a perda havia sido de 11,5%.
A pressão sobre as ações brasileiras aumentou após a reeleição de Lula. No primeiro dia de negociação após o resultado, uma queda acentuada acionou o circuit breaker, interrompendo temporariamente as operações por perdas expressivas.
Além disso, a retirada de investimentos estrangeiros também contribuiu para a pressão sobre os ativos, com dados da B3 mostrando uma saída líquida de quase R$ 7,6 bilhões nos três primeiros pregões da semana.
Cenário externo
Adicionalmente, o mercado brasileiro está influenciado por um cenário internacional desfavorável, caracterizado pela cautela em relação às empresas de tecnologia dos EUA e suas perspectivas quanto à inflação e juros globais.
Em Nova York, o índice S&P 500 exibiu uma queda de 1,82%, refletindo preocupações sobre os resultados de grandes empresas do setor de tecnologia e seus investimentos em inteligência artificial.
No câmbio, o índice do dólar, que avalia a performance da moeda americana em relação a uma cesta de seis divisas fortes, registrava um aumento de 0,01%, alcançando 101,890 pontos, às 17h31.
Fonte: Agência Brasil/EBC







