O impacto da iniciativa pode ser significativo, pois busca desconectar 200 mil brasileiros das redes sociais por um dia, promovendo atividades que estimulem a convivência e o contato com a natureza. O movimento, denominado Dia do Reset, será oficialmente lançado no Brasil nesta quarta-feira, 26 de agosto, pela Outward Bound Brasil (OBB), instituição com foco em experiências ao ar livre para o desenvolvimento humano.
No próximo dia 26 de setembro, será apresentado um filme manifesto e as inscrições para o evento estarão abertas. A participação é gratuita, permitindo que cada pessoa escolha como utilizar sua pausa das redes sociais.
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O objetivo é que, em 24 horas, se registrem entre 250 mil a 700 mil horas desconectadas. O lema do movimento é claro: “Um dia. Redes Sociais fora do ar. Você dentro da vida”.
Nascido nos Estados Unidos em 2025 sob o nome The Reset, o Dia do Reset convida diversas camadas da sociedade — jovens, famílias, escolas e comunidades — a se desconectarem voluntariamente das redes sociais, redescobrindo momentos de presença e conexão verdadeira.
Na estreia da ação nos Estados Unidos, 51 mil pessoas participaram, gerando 328 mil horas desconectadas.
A Outward Bound, fundada em 1941 no Reino Unido, é referência em educação experiencial em ambientes naturais.
Pela primeira vez no Brasil desde 2000, a OBB oferece experiências de desenvolvimento humano em contextos naturais. Sua metodologia está centrada na conexão com a natureza e abrange programas para diferentes faixas etárias e grupos.
Saúde mental em foco
Pesquisas indicam que, em média, os brasileiros passam 116 horas por semana online, o que equivale a aproximadamente 52 anos, 9 meses e 16 dias de vida conectados à internet.
O Brasil é considerado um dos países com o maior tempo de uso de redes sociais.
Eduardo Becker, conselheiro da OBB, destaca a preocupação em relação a esses números.
“O Brasil frequentemente figura entre os líderes em uso de redes sociais. Dos jovens, 54% apresentam algum tipo de ansiedade, e 80% não alcançam os níveis mínimos de atividade física recomendados pela OMS”, aponta Becker.
Ele adverte que essa realidade representa uma “pandemia silenciosa”, mas ressalta que o Dia do Reset não é um movimento antitecnologia.
“Todos utilizamos tecnologia. O evento busca provocar uma reflexão sobre o equilíbrio no seu uso. Queremos que as pessoas reconheçam o papel da tecnologia, mas entendam que a vida real e as interações são essenciais para a saúde”, frisou Becker à Agência Brasil.
Andreas Martin, diretor executivo da OBB, afirma que a proposta é aproximar as pessoas do equilíbrio entre a vida digital e a vida pessoal.
“Construir uma vida plena exige tempo e espaço para a convivência e a introspecção”, afirma.
A escolha de cada um
O Dia do Reset propõe que cada participante defina como ocupar seu tempo livre durante o evento, com sugestões como caminhadas, banhos de rio, jogos com a família e momentos de conversa. A ideia é que passos simples ajudem na desconexão.
Mais de 80 empresas já se mobilizaram em apoio à data de 26 de setembro. O movimento também conta com parceria de patrocinadores que oferecem bolsas para jovens em situação de vulnerabilidade para programas educacionais promovidos pela OBB. Escolas e famílias terão liberdade para programar suas próprias atividades.
Apoiam a iniciativa entre outros, o pediatra Daniel Becker; o educador e escritor Ilan Brenman; Aretha Duarte, a primeira mulher negra da América Latina a escalar o Everest; Gabriel Abdalla, criador da plataforma Reconecta; e o velejador Beto Pandiani.
A mobilização pública é coordenada pelo coletivo Entre Parques.
O movimento disponibilizará, por meio do site oficial, materiais educativos e guias de atividades sugeridas.
Fonte: Agência Brasil/EBC







