Após intensas discussões, os líderes participantes da Cúpula do Brics, realizada em Nova Delhi, manifestaram preocupações significativas sobre as tensões no Oriente Médio. Eles criticaram a aplicação de tarifas unilaterais no comércio global e enfatizaram a necessidade de um papel mais ativo do Brasil no Conselho de Segurança da ONU.
A declaração oficial, intitulada “Construindo para a Resiliência, Inovação, Cooperação e Sustentabilidade”, foi divulgada neste sábado (12). O documento expressa o posicionamento agregado dos líderes sobre a situação delicada no Oriente Médio, reafirmando a necessidade de contenção e cooperação entre os países envolvidos.
Expectativas em Relação ao Conflito
Um dos principais pontos discutidos foi a Guerra no Oriente Médio, que teve início em fevereiro deste ano, envolvendo ataques dos EUA e Israel ao Irã, sob a alegação de desenvolvimento de armas nucleares, o que o Irã refuta veementemente. A reação iraniana incluiu ataques direcionados aos Emirados Árabes e à Arábia Saudita, ambos aliados dos EUA.
A declaração, composta por 35 páginas, abrange a preocupação relacionada a esses conflitos, mas evita mencionar diretamente os países envolvidos ou recorrer ao termo “guerra”. O parágrafo 28, por exemplo, enfatiza um apelo à máxima contenção e à não realização de ações que possam deteriorar ainda mais a situação.
“Comunicamos nossa profunda preocupação com a crescente escalada das tensões na região, instando todos a buscar soluções pacíficas para a crise.”
A reflexão entre os líderes foi reforçada pela participação de figuras proeminentes, incluindo o primeiro-ministro indiano Narendra Modi e presidentes de diversas nações, como Xi Jinping (China) e Vladimir Putin (Rússia). O ministro das Relações Exteriores do Brasil, Mauro Vieira, também fez parte do evento.
Reforma da Organização das Nações Unidas
No tocante à reforma do Conselho de Segurança da ONU, o Brics reiterou a necessidade de uma estrutura mais democrática e representativa, citando a importância de incluir mais países em desenvolvimento na tomada de decisões globais. O Brasil continua buscando um assento permanente no conselho, um desejo expresso na declaração, que ganhou apoio ativo de China e Rússia.
O Conselho de Segurança, composto por 15 países, reafirmou sua relevância nas questões de paz e segurança mundial, embora apenas cinco membros possuam poder de veto. A discussão sobre um assento permanente para o Brasil foi destacada, mas não mencionou explicitly a inclusão deste país.
Desafios Comerciais e O Tarifação Internacional
Os países presentes também expressaram críticas à imposição de tarifas unilaterais, que foram julgadas como distorcidas e contrárias às normas da Organização Mundial do Comércio. Apesar de não citar diretamente os Estados Unidos, que aplicam tais tarifas desde a presidência de Donald Trump, o documento reflete a frustração dos signatários.
Além disso, o Brics abordou a proposta de facilitar pagamentos internacionais em moedas locais, embora não tenha feito menção a uma nova moeda do bloco ou à substituição do dólar.
A Luta Contra a Desigualdade
Por fim, no 15º parágrafo da declaração, os signatários destacam a importância de erradicar a pobreza em suas variadas formas como um desafio global vital para o desenvolvimento sustentável. O documento também reflete o desejo do Brasil e da África do Sul de estabelecer um painel para discutir a desigualdade.
Fonte: Agência Brasil/EBC







