A ex-deputada Carla Zambelli recorreu ao Supremo Tribunal Federal (STF) solicitando um salvo-conduto que possibilite seu retorno ao Brasil. O motivo da viagem é exercer o direito de voto na mãe, Rita Luzia Zambelli Salgado, que está concorrendo a uma vaga de deputada federal pelo PL em São Paulo.
O pedido foi protocolado na última segunda-feira, 22 de setembro. A defesa de Zambelli apontou que existem mandados de prisão em aberto contra ela, além de mencionar que a Justiça italiana rejeitou seu pedido de extradição, questionando a imparcialidade da Primeira Turma do STF, que já impôs duas condenações a seu respeito.
Contexto Adicional
A defesa também fez menção a um pedido de investigação relacionado ao ministro Alexandre de Moraes no caso do Banco Master, questão que ainda aguarda votação no plenário do STF, afetando a credibilidade do magistrado, que relatora os processos contra Zambelli.
“Existem circunstâncias que recomendam a liberdade cautelar até a conclusão do inquérito judicial em andamento”, afirmaram os advogados.
Com base nesta situação, a ex-deputada alegou seu direito de retornar ao Brasil para votar sem o temor de prisão. A defesa sustentou que “o risco de detenção durante sua entrada, permanência ou saída do País inviabiliza essa finalidade” e, por isso, o pedido de proteção da liberdade de locomoção é necessário.
O requerimento foi direcionado ao presidente do STF, ministro Edson Fachin, o qual também é relator da investigação contra Moraes.
Se o pedido for aceito, Zambelli planeja chegar ao Brasil no dia 3 de outubro, votar no dia 4 e retornar à Itália no dia seguinte.
Histórico da Ex-deputada
A ex-parlamentar, ainda vinculada ao PL de São Paulo, foi condenada a 10 anos de prisão em uma decisão da Primeira Turma do STF em 2025, por invadir sistemas informáticos e falsidade ideológica.
Ela foi considerada responsável por liderar uma invasão aos sistemas do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) em 2022, visando inserir um mandado de prisão falsificado contra o próprio Moraes, com o intuito de desacreditar o Poder Judiciário em meio às eleições presidenciais.
Na mesma linha, a ex-deputada foi novamente condenada em 2025 à pena de 5 anos e 3 meses de prisão, em regime semiaberto, por posse ilegal de arma e constrangimento ilegal, no contexto de uma perseguição ao jornalista Luan Araújo em São Paulo, dias antes do segundo turno das eleições presidenciais de 2022.
Fuga para o Exterior
Após a primeira condenação, antes que a ordem para o cumprimento da pena fosse emitida, Zambelli utilizou o passaporte europeu para embarcar para os Estados Unidos e depois para a Itália, onde solicitou asilo alegando perseguição política.
Ela foi detida em Roma após um pedido de extradição feito pelo STF, que reivindicou sua restituição imediata ao Brasil. Inicialmente, um tribunal italiano acatou a solicitação, mas posteriormente uma corte de apelação revogou a decisão, questionando a legitimidade da atuação de Moraes no caso, uma vez que ele atuou como juiz e vítima em processos associados.
Fonte: Agência Brasil/EBC








