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Home - Brasil

Como o Pantanal e outros biomas enfrentam as mudanças climáticas

Editor by Editor
28 ago 2026
in Brasil
Cyntia Santos do WWF-Brasil
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O Pantanal, apesar de sua extensão reduzida, desempenha um papel crucial na interação com diversos ecossistemas. Importante destacar que a luta contra as mudanças climáticas nesta região está atrelada a cinco biomas vizinhos: Cerrado, Amazônia, Mata Atlântica, Chaco e Bosque Chiquitano.

Essa vasta planície alagável é considerada o maior reservatório de água do mundo. A fusão das águas proporciona um ambiente propício à vida, mas também aumenta a vulnerabilidade da região frente às alterações climáticas.

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“Esta planície depende das dinâmicas e das causas nos biomas ao seu redor, além de ser impactada pelas mudanças climáticas que também afetam essas regiões”, destaca Cyntia Santos, analista de Conservação do WWF-Brasil.

Conforme o último levantamento do Mapbiomas, publicado recentemente, em 2025 o Pantanal havia perdido mais de um milhão de hectares de sua Savana Alagada, em comparação ao que existia em 1985.

Esta perda representa 84% da área original, com 833 mil hectares sendo transformados em outros tipos de vegetação, como savanização ou campestres. Isso, na prática, indica que o Pantanal enfrenta uma crise de secagem.

“O desaparecimento de partes de rios e assoreamento de áreas conhecidas como vazantes é alarmante. Muitas das seções que costumavam alagar agora estão secas, e os rios estão bastante enfraquecidos”, afirma Clauidnei Terena, engenheiro florestal e botânico.

Natural da Terra Indígena Limão Verde, localizada em Aquidauana (MS), Claudinei recorda com tristeza um tempo em que a abundância de água enriquecia o solo, favorecendo a agricultura local.

“Desde pequeno aprendi sobre como construir uma casa, as madeiras apropriadas para cada uso e a busca por plantas medicinais. Cada árvore possui um valor único, seja a casca, o fruto, a folha ou a raiz”, relata.

Utilizando conhecimentos tradicionais, Claudinei contribuiu para um projeto de restauração de 3,3 hectares de áreas de nascentes de rios, visando garantir a fluidez de água para o Pantanal e manter a produtividade do Cerrado.

“Na nossa comunidade já trabalhamos com um sistema de cultivo que, na prática, é uma agrofloresta, pois sempre plantamos em consórcio”, explica.

Rede

Em Figueirão (MS), Adauto Cândido Pereira, coletor de sementes da comunidade quilombola Santa Tereza e membro da Rede Flores do Cerrado, também aponta a restauração das nascentes como uma solução essencial para os rios.

Com uma coleta consciente e a comercialização das sementes, seu trabalho de restauração se estende além do território local. “Atendemos a projetos estaduais, somos 31 coletores, incluindo 16 mulheres e 15 homens, seguindo regras de coleta que garantem a preservação das árvores e do meio ambiente”, explica.

Restauração

Cyntia Santos destaca que ambos os projetos fazem parte das ações de restauração das cabeceiras de rios promovidas pelo WWF-Brasil no Cerrado, visando mitigar a degradação do uso da terra que afeta as nascentes e o fluxo dos rios que alimentam o Pantanal.

“Essas mudanças resultam muitas vezes de práticas econômicas desordenadas e falta de apoio técnico adequado”, afirma Cyntia Santos.

O diretor executivo do WWF-Brasil, Maurício Voivodic, enfatiza que, ao longo de três décadas de atuação da organização no Brasil, são 22 anos dedicados intensivamente ao Pantanal.

Maurício Voivodic, diretor executivo do WWF-Brasil. Foto: Guilherme Kardel/WWF
Maurício Voivodic, diretor executivo do WWF-Brasil, tem 22 anos de atuação intensificada no Pantanal. Foto: Guilherme Kardel/WWF

“Atuamos em parceria nas comunidades locais, sempre com foco em gerar impactos positivos, aprendizado e dados que nos ajudem a influenciar políticas públicas”, afirma.

Energia

Projetos de sensibilização sobre o uso sustentável dos recursos hídricos também estão sendo implementados, incluindo alternativas como a construção de pequenas centrais hidrelétricas.

Segundo Cyntia Santos, essas iniciativas não apenas fragmentam os rios, mas também prejudicam a biodiversidade aquática e o setor turístico da região.

“A energia deve ser confiada a fontes alternativas, como a solar, mais adequadas para a área, já que hidrelétricas pequenos não oferecem benefícios nem econômico para o governo nem para as comunidades locais”, afirma.

Ações para combater incêndios florestais e promover a conectividade da vegetação nativa também são essenciais, criando corredores que favorecem a biodiversidade, como a onça-pintada, um importante indicador de saúde ecológica.

Cyntia conclui ressaltando que o conhecimento ancestral das populações locais é vital para enfrentar os desafios ambientais. “Com isso, conseguimos potencializar informações e otimizar estratégias colaborativas”, finaliza.

Fonte: Agência Brasil/EBC

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