A investigação do deputado Cezinha de Madureira (PL-RJ) pela Polícia Federal (PF) avança, com indícios que sugerem tentativas de negociação de acesso a ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) em troca de pagamentos.
O ministro Flávio Dino tomou a decisão de levantar o sigilo em relação ao processo que autorizou buscas nas residências do parlamentar. As desconfianças envolvem a promessa de influência sobre membros da Corte por parte do deputado.
Suspeitas de Tráfico de Influência
Dino expressou preocupações com o fato de que Cezinha possa estar utilizando sua posição política para fomentar a ilusão de autoridade sobre magistrados, o que caracteriza os delitos investigados: tráfico de influência, corrupção e lavagem de dinheiro.
No relatório da PF, constam mensagens de celular onde Valéria Rodrigues Linhares, esposa de Cezinha, aparece em tratativas que poderiam indicar sua tentativa de influenciar ministros de instâncias superiores, incluindo o STF.
Essas mensagens foram recuperadas do celular de Mariângela Fialek, funcionária da Câmara dos Deputados, que é alvo de investigação por gerenciar emendas do chamado orçamento secreto — que não identifica claramente parlamentares ou destinatários.
Dentro dessas conversas, Mariângela discutiu com Valéria sobre contratos de honorários, tendo como contrapartida a atuação de Cezinha junto a ministros de tribunais superiores sobre demandas específicas.
Os diálogos mencionam os ministros do STF Nunes Marques, André Mendonça e Gilmar Mendes. Contudo, a PF esclareceu que não há provas que sugiram qualquer aceitação de vantagens indevidas por esses magistrados.
Segundo a análise, os juízes citados nos diálogos figuram apenas como possíveis alvos da influência alegada, sem que sejam considerados suspeitos por quaisquer ações ilícitas.
Ainda assim, as investigações revelaram que teriam sido oferecidos até R$ 2 milhões em vantagens indevidas, em troca da confirmação de que o deputado teria tratado de questões com relatores de casos no STF.
Apreensões Financeiras
Flávio Dino também assumiu a relatoria de um processo relacionado à apreensão de R$ 510 mil em dinheiro, que foram encontrados com Valéria em 25 de agosto, no Aeroporto de Congonhas, em São Paulo. A defesa dela alegou que essa quantia se referia a honorários advocatícios.
No entanto, a PF justificou a necessidade de novas buscas, apontando que as evidências sugerem que as vantagens poderiam estar sendo transportadas fisicamente, o que impediria a coleta de provas através de movimentações bancárias.
O pedido da PF para realizar buscas no gabinete de Cezinha foi negado por Dino, que declarou que não existem evidências de que o local seria utilizado para atividades criminosas ou ocultação de provas.
A Agência Brasil tenta entrar em contato com Cezinha de Madureira e sua defesa para obter mais esclarecimentos sobre o caso.
Fonte: Agência Brasil/EBC








