Os dados mais recentes revelam que a Dívida Pública Federal (DPF) experimentou um aumento de 2,61% em junho, superando a marca de R$ 9,2 trilhões. Essa elevação se deveu principalmente à forte emissão de títulos atrelados à Taxa Selic, que resultou em um salto de R$ 8,798 trilhões em maio para R$ 9,033 trilhões no mês analisado, de acordo com informações divulgadas pelo Tesouro Nacional nesta quarta-feira (29).
Embora tenha ultrapassado a cifra de R$ 9 trilhões em maio, a dívida pública ainda é inferior às previsões. Conforme o Plano Anual de Financiamento (PAF), proposto em janeiro, a expectativa é que o estoque da DPF alcance entre R$ 9,7 trilhões e R$ 10,3 trilhões até 2026.
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A Dívida Pública Mobiliária interna (DPMFi) também apresentou um aumento de 2,72%, passando de R$ 8,962 trilhões em maio para R$ 8,921 trilhões em junho. O governo emitiu R$ 143,35 bilhões em títulos a mais que resgates, centrando-se em papéis atrelados à Selic, e incorporou R$ 85,16 bilhões em juros acumulados.
A apropriação de juros representa uma correção mensal sobre os títulos, que é somada ao total da dívida pública. Com a Selic fixada em 14,25% ao ano, a carga de juros está elevando o nível de endividamento do governo.
No último mês, o Tesouro emitiu R$ 149,49 bilhões em DPMFi, sendo que R$ 102,57 bilhões foram destinados a títulos conectados à Selic. O volume de resgates foi de apenas R$ 6,14 bilhões, um valor baixo em comparação com os padrões do Tesouro Nacional em um mês com poucos vencimentos.
A Dívida Pública Federal externa (DPFe) teve um crescimento de 2,12%, saltando de R$ 340,49 bilhões em maio para R$ 347,71 bilhões em junho, impulsionada pela valorização de 2,37% do dólar.
Reserva Financeira
Após algumas quedas anteriores, a reserva financeira conhecida como colchão da dívida pública subiu, alcançando R$ 1,346 trilhão em junho, o maior nível desde 2015. Esse aumento deve-se às emissões superando os resgates realizados no mês.
Atualmente, esta reserva é suficiente para cobrir 8,33 meses de vencimentos da dívida pública, com R$ 1,86 trilhão previsto para vencer nos próximos 12 meses.
Composição da Dívida
Entre maio e junho, a estrutura da DPF apresentou as seguintes mudanças:
- Títulos vinculados à Selic: de 48,99% para 49,32%;
- Títulos ajustados pela inflação: de 26,26% para 25,9%;
- Títulos prefixados: de 21% para 21,04%;
- Títulos atrelados ao câmbio: de 3,75% para 3,74%.
As projeções para o encerramento do ano, segundo o PAF, incluem:
- Títulos vinculados à Selic: entre 46% e 50%;
- Títulos corrigidos pela inflação: entre 23% e 27%;
- Títulos prefixados: entre 21% e 25%;
- Títulos atrelados ao câmbio: entre 3% e 7%.
Os papéis prefixados oferecem maior previsibilidade para a gestão da dívida pública. No entanto, a volatilidade do mercado financeiro pode resultar em menos emissões, pois investidores podem exigir juros mais altos, dificultando a administração da dívida.
Os títulos vinculados à Selic continuam atraindo interesses devido aos juros elevados estabelecidos pelo Comitê de Política Monetária do Banco Central (Copom). A dívida cambial é provocada por antigos títulos corrigidos em dólar e pela dívida externa.
Duração da Dívida
A média do prazo da DPF caiu de 4,07 para 4,01 anos, refletindo a rapidez necessária para renovação da dívida pública. Intervalos mais longos costumam indicar confiança dos investidores na capacidade do governo de cumprir seus compromissos.
Perfil dos Investidores
A distribuição dos detentores da Dívida Pública Federal interna é a seguinte:
- Instituições financeiras: 31,76% do total;
- Fundos de pensão: 22,52%;
- Fundos de investimento: 22%;
- Não-residentes (estrangeiros): 9,95%;
- Outros grupos: 13,77%.
Com a elevação da tensão financeira em junho, em parte devido à guerra no Oriente Médio, houve um recuo na participação de investidores não residentes que era de 10,14% em maio. Uma maior proporção de detentores estrangeiros representa maior confiança nas finanças brasileiras.
O governo utiliza a dívida pública para captar recursos que permitirão honrar suas obrigações financeiras. Em troca, garante a devolução desses valores após um período, com variações que podem ser indexadas à Selic, inflação, câmbio ou taxas prefixadas.
Fonte: Agência Brasil/EBC








