Dorival Júnior quer continuar no São Paulo em 2027 e está disposto a flexibilizar as condições para isso. O treinador sinalizou a pessoas próximas que aceitaria uma renovação sem aumento salarial — ou até com valores abaixo do atual — para prorrogar o contrato. Ele e sua comissão técnica custam cerca de R$ 2 milhões por mês ao clube. O problema é que quem decide não é a gestão atual: a eleição presidencial está marcada para dezembro, com posse em 1º de janeiro, e o próximo mandatário assumirá com o clube provavelmente já em pré-temporada.
O que Dorival diz sobre o próprio futuro
Em declaração após a partida contra o Vasco, o treinador reconheceu a situação e demonstrou maturidade sobre o processo:
“Por obrigação, tenho que preparar algum material que eu possa deixar, independentemente da manutenção do meu contrato ou não. Tenho que ter esse nível de profissionalismo com quem aqui entra. O próximo presidente não tem obrigação nenhuma de renovação comigo, nem uma continuidade — tem que saber o que é melhor para o São Paulo.”
O que o candidato da oposição exige
Marcelinho Portugal Gouvêa, até agora o único nome confirmado pela oposição para a eleição de dezembro, deixou claro que o técnico precisará se adaptar ao projeto — não o contrário. A prioridade do candidato é a base de Cotia e um modelo enxuto de contratações:
“Preciso que seja um cara com o que eu quero, sendo o Dorival ou não: que trabalhe com a base. A prioridade é usar a base esportivamente e não contratar jogador. Se o Dorival se adaptar a isso, pode ser ele; senão, será outro. Não pode ser um técnico que vai me pedir 6 ou 7 jogadores, porque o São Paulo não vai contratar 6 ou 7 jogadores por janela. Tentar um ou dois de forma certeira e aproveitar a base.”
Marcelinho também sinalizou que avaliará o custo da comissão técnica antes de qualquer decisão: “Precisamos entender no mercado se conseguimos uma comissão técnica mais barata ou mais cara. A comissão técnica é o mais importante no time, que trabalha adjacente a outros departamentos.”
O fator tempo
O calendário joga contra uma eventual troca. Com a posse marcada para 1º de janeiro e o time provavelmente já em pré-temporada nessa data, o novo presidente terá pouquíssimo espaço para implementar uma mudança de comando sem comprometer o início de 2027. A disposição de Dorival em negociar salário pode ser justamente o argumento que inclina a balança a seu favor — independentemente de quem vencer a eleição.





