A possibilidade de um El Niño mais intenso do que os já registrados nas últimas quatro décadas foi anunciada pela diretora da agência meteorológica da ONU nesta quarta-feira (21). Esse fenômeno poderá trazer consequências severas para o clima global.
A intensificação do El Niño deverá ser responsável por um aumento nas temperaturas em diversas regiões, resultando em secas severas em certos locais enquanto, em outros, pode provocar inundações, esclareceu Celeste Saulo, secretária-geral da Organização Meteorológica Mundial.
Detalhes do Relatório
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O mais recente relatório da ONU sugere que as previsões sobre o aquecimento global estão se intensificando, com expectativas de aumento das temperaturas em 1,7 a 1,8 graus Celsius acima dos níveis registrados antes da Revolução Industrial até a metade do século.
Apesar dos avanços em energias renováveis e nas políticas climáticas, o estudo indica que são necessárias medidas “urgentes e rigorosas” para alcançar um cenário otimista.
Conforme o Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA), as emissões de gases de efeito estufa precisam ser reduzidas significativamente: 18% até 2030, 45% até 2035 e 69% até 2040. A proposta atual dos países implica uma diminuição reduzida, variando entre 5% e 8% até 2030 e entre 11% e 15% até 2035.
O relatório ainda projetou um incremento no aquecimento global de 2,8 graus Celsius até 2100, com as políticas atuais, podendo ser reduzido a 2,6 °C se os países cumprirem seus compromissos climáticos.
À medida que se aproximam as negociações climáticas na COP31 na Turquia, o secretário-geral da ONU, António Guterres, enfatizou a importância de continuar os esforços para gerenciar as emissões responsáveis por desastres naturais, como inundações e incêndios.
“Superar a meta não significa desistir. Podemos ainda trabalhar para que o aumento seja o menor e mais curto possível e, eventualmente, conseguir manter as temperaturas abaixo de 1,5 grau até o fim do século”, afirmou.
Segundo o Acordo de Paris, os países firmaram o compromisso de evitar um aumento na temperatura média global superior a 2 graus e, preferencialmente, limitá-la a 1,5°C.
O PNUMA observou que limitar o aquecimento a 1,5°C sem ultrapassagens futuras parece inviável, mas o novo cenário de ultrapassagem considera uma possibilidade de 50% de que as temperaturas possam retornar a 1,5°C ou menos até 2100.
O levantamento também revelou que os planos climáticos em vigor praticamente não alteraram as previsões de aquecimento e que o retorno à meta de 1,5°C depende de práticas de remoção de carbono em larga escala, cuja viabilidade é incerta.
*Reportagem adicional de Simon Jessop
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Fonte: Agência Brasil/EBC








