Reconhecimento a iniciativas sociais tem se tornado vital na luta contra a violência de gênero. No último dia 4, Cleocimara Reis Gomes, de 38 anos, foi homenageada em Brasília pelo seu trabalho em uma comunidade indígena do noroeste do Amazonas. Ela é a coordenadora do projeto Promotoras Legais Populares Indígenas do Rio Negro, dedicando-se a conscientizar mulheres sobre os tipos de violência que podem enfrentar.
A comunidade de Cartucho, onde reside, possui apenas 40 famílias e está situada a uma intensa viagem de barco de São Gabriel da Cachoeira (AM). Cleocimara enfatizou a importância de seu trabalho em uma área onde muitos casos de violência permanecem invisíveis, devido à distância dos centros urbanos.
Recursos e Financiamento
Durante a cerimônia, a ministra das Mulheres, Márcia Lopes, destacou o apoio que nove projetos premiados receberam, variando entre R$ 50 mil a R$ 200 mil, visando reforçar práticas de acolhimento e prevenção da violência. As iniciativas possuem foco na capacitação e valorização dos direitos das mulheres, essenciais para a mudança na realidade dos grupos vulneráveis.
Além disso, Cleocimara revelou que colabora com 23 diferentes povos em cerca de 100 comunidades nos municípios de São Gabriel da Cachoeira, Barcelos e Santa Isabel do Rio Negro, ressaltando que, apesar dos altos índices de violência, essa realidade é pouco discutida fora das comunidades.
Seu projeto, orientado à educação e emancipação da mulher indígena, busca desmistificar a ideia de que a violência é parte da cultura. Ela explicou: “É vital que as mulheres conheçam seus direitos e não aceitem viver em situações de violência.”
“As formas de violência incluem a física, sexual, psicológica e patrimonial, com casos que às vezes demoram a ser reportados devido à localização remota das comunidades”, mencionou Cleocimara.
A coordenadora também recebeu solicitações de lideranças de mulheres indígenas para que homens se unam na luta contra a violência, buscando alianças que fortaleçam o movimento.
Educação e Conscientização
Outro exemplo notável é o projeto da Associação de Pescadores e Marisqueiras de São Félix (BA), laureado com o prêmio na categoria “Justiça que acolhe mulheres”. A presidente da associação, Cátia Chagas, de 58 anos, formou-se em direito e psicologia, dedicando sua carreira a auxiliar mulheres vulneráveis em sua comunidade.
Iniciado em 2012, o projeto tem impactado aproximadamente 600 mulheres, muitas delas mães solo, oferecendo diversos serviços, incluindo suporte psicológico e capacitação.
Defesa das Comunidades Tradicionais
Um projeto voltado para as comunidades quilombolas, denominado Dandara, também foi premiado. Sua atuação, liderada por Ana Beatriz Bernardes Nunes, presidenta da Associação Estadual das Quilombolas do Rio de Janeiro, abrange cerca de 500 mulheres, focando na escuta cidadã e no empoderamento territorial. Ana destaca o papel fundamental que as mulheres quilombolas desempenham na administração dos recursos e biodiversidade de seus territórios, apesar das ameaças que enfrentam.
Fonte: Agência Brasil/EBC








