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Home - Brasil

Movimento Feminista Negro Lança Manifesto para 2026

Editor by Editor
26 ago 2026
in Brasil
Lançamento do Manifesto Mulheres Negras na Política pelo Pacto do Bem Viver
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“Levanta povo, cativeiro já acabou!” A famosa frase da canção “Cangoma me Chamou”, de Clementina de Jesus, ressoou como um grito de união entre ativistas negras nesta quarta-feira (26) em Brasília. Elas se reuniram para apresentar o Manifesto Político das Mulheres Negras do Brasil: O Pacto do Bem Viver e as Eleições 2026, uma iniciativa da Articulação de Mulheres Negras Brasileiras (AMNB).

A proposta central do manifesto visa instaurar um sistema de governança que priorize a justiça, a equidade, a solidariedade e a dignidade na formulação de políticas públicas.

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Diretrizes do Movimento

A proposta destacada no manifesto busca a emancipação e inclusão das mulheres negras na esfera política, não as reduzindo a meras destinatárias de políticas assistencialistas. Ao contrário, elas almejam ser reconhecidas como protagonistas nesse espaço.

“É essencial que nossa relevância na esfera política seja percebida pela nossa capacidade de gestão, tornando nossa participação em casas legislativas e no executivo uma prioridade,” afirma o documento do manifesto.

Consciente da influência significativa das mulheres negras nas próximas eleições, Isabel Faroni, do Instituto Akanni, enfatiza a importância de amplificar a voz coletiva em favor dos direitos das populações pretas e pardas.

“Precisamos ser ouvidas, o manifesto apresenta uma proposta social justa, que valoriza o cuidado mútuo e a partilha igualitária.”

Reafirmação do Pacto do Bem Viver

A coordenadora nacional da Articulação de Mulheres Brasileiras, Jolúzia Batista, ressaltou que a luta proposta no manifesto é pela igualdade, reparação e justiça, visando corrigir desigualdades históricas geradas por séculos de escravidão no Brasil.

Jolúzia menciona que a articulação também está criando plataformas políticas com diretrizes específicas para candidatos e governantes, visando garantia de representação e a efetivação das políticas públicas em favor das mulheres negras.

Brasília (DF), 26/08/2026 - A Articulação de Organizações de Mulheres Negras Brasileiras (AMNB), promove o ato de lançamento do Manifesto “Mulheres Negras na Política pelo Pacto do Bem Viver
Articulação de Organizações de Mulheres Negras Brasileiras lança o manifesto “Mulheres Negras na Política pelo Pacto do Bem Viver”. Foto – Marcelo Camargo/Agência Brasil

Enfrentamento das Desigualdades

O manifesto denuncia a continuidade do racismo e do sexismo nas eleições, propondo ações destinadas a combater essas desigualdades. O grupo fez críticas à falta de valorização das mulheres nos partidos políticos e à escassa distribuição de recursos do Fundo Partidário e do Fundo Especial de Financiamento de Campanha.

Durante o evento, elas também promoveram a hashtag #EuVotoEmNegra, uma campanha que favorece a inclusão de mulheres negras na política nacional.

De acordo com dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), entre as 20.560 candidaturas das eleições gerais de 2026, mulheres pretas representam 6% (1.234 candidaturas) e mulheres pardas somam 12,2% (2.485 candidaturas).

Esse cenário é contrastante com dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua Anual (Pnad Contínua) de 2021, que indicou que 28,2% da população brasileira era composta por mulheres negras, totalizando cerca de 58 milhões de pessoas.

A promotora de Justiça Nádia Estela Ferreira Mateus, do Ministério Público do Estado de Minas Gerais, lamentou a sub-representação de mulheres negras no Ministério Público, onde apenas 0,7% dos procuradores e promotores no Brasil são negras.

“Discutir reparação e justiça racial implica abordar a democracia e os direitos previstos em nossa Constituição, questionando quais vidas devemos valorizar na construção social do país,” destacou Nádia Estela.

Cenário Político Atual

A apresentação das diretrizes ocorreu em um contexto de tensão política, que as organizadoras chamaram de guerra híbrida, em que direitos humanos e sociais estão sob ataque, afetando grupos historicamente marginalizados, como mulheres negras e a população LGBTQIA+.

Janira Sodré, da AMNB, criticou o que considera manipulação da informação política pelas grandes empresas de tecnologia, denominando isso de “tecno autoritarismo”.

Brasília (DF), 26/08/2026 - A secretária-executiva da Articulação de Organizações de Mulheres Negras Brasileiras (AMNB), Janira Sodré, durante o ato de lançamento do Manifesto “Mulheres Negras na Política pelo Pacto do Bem Viver
Secretária-executiva da Articulação de Organizações de Mulheres Negras Brasileiras (AMNB), Janira Sodré. Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil – Marcelo Camargo/Agência Brasil

Janira argumenta que essa narrativa histórica é usada para deslegitimar conquistas sociais, como a crítica à formalização do trabalho, apresentada como um avanço.

“O que vivemos é um ataque da ultradireita a um projeto de bem viver, que defende o bem-estar social, ameaçando os direitos das diversas populações,” conclui Janira.

A ativista também mencionou ataques diretos a serviços públicos e a uso de grupos armados em comunidades negras carentes.

A iniciativa da AMNB busca unir gerações, reunindo mulheres negras de diferentes idades para solidificar um compromisso intergeracional visando uma maior presença em áreas de decisão.

Entre as participantes estava Caiene Reinier Freitas, mestranda e engenheira ambiental, que ressaltou a importância da presença feminina trans e negras em espaços de poder.

“Ocupar os espaços de decisão é essencial para materializar representatividades de todas as formas de ser mulher,” ressaltou Caiene.

Fonte: Agência Brasil/EBC

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