A emoção tomou conta da 25ª edição do Prêmio Grande Otelo, com vencedores expressando a alegria de serem laureados em seu próprio país, após uma série de conquistas internacionais. Neste ano, pela primeira vez, a prestigiosa categoria de Melhor Filme elegeu dois ganhadores: Manas, dirigido por Marianna Brennand, e O Agente Secreto, de Kleber Mendonça Filho.
“Percorremos o mundo, estreando em festivais renomados como Veneza e conquistando 46 prêmios internacionais. No entanto, ser reconhecida no meu país é uma experiência extremamente especial”, compartilhou Marianna Brennand após a cerimônia realizada no Theatro Municipal do Rio de Janeiro na terça-feira (4).
Inscrições e vitórias celebradas
Kleber Mendonça Filho também expressou sua alegria e ressaltou a importância do prêmio na valorização do cinema nacional. “Eu já fui jornalista e testemunhei esse prêmio de um ângulo diferente. Hoje, como cineasta, vejo sua importância para o mercado e a cultura brasileira”, enfatizou.
Durante o evento, os premiados das diferentes categorias destacaram que o cinema brasileiro está passando por uma fase de reconhecimento tanto nacional quanto internacional, impulsionado por um processo de amadurecimento e solidificação da indústria que fomenta a economia e a identidade cultural do Brasil.
Renata Almeida Magalhães, presidente da Academia Brasileira de Cinema, comentou que o Grande Otelo se destaca por contar com a participação ativa dos profissionais da área. “Não existe curadoria, nem júri; são os próprios colegas que avaliam as produções do ano”, explicou.
Esse aspecto foi reforçado por Marianna Brennand, que considerou esse reconhecimento um dos fatores mais significativos da premiação. “O Grande Otelo é um prêmio que celebra o cinema brasileiro e seu valor entre os colegas que admiro profundamente”, disse.
Celebrando o protagonismo feminino
Marianna também enfatizou a força feminina em sua obra. “Nosso filme tem a espinha dorsal do feminino, e fico contente que ele está gerando conexões e transformações”, comentou.
A vencedora da categoria de roteiro original de Manas, Antonia Pellegrino, presidenta da Empresa Brasil de Comunicação (EBC), destacou a equipe majoritariamente feminina que esteve presente em todas as etapas do projeto. “Manas foi dirigido e escrito por mulheres talentosas, o que proporciona uma abordagem sensível a um tema tão complexo”, afirmou.
Resultados da premiação
A cerimônia que ocorreu no Theatro Municipal do Rio de Janeiro reuniu profissionais de diversas gerações. Manas não apenas dividiu o prêmio de Melhor Filme com O Agente Secreto, mas também conquistou várias outras estatuetas, incluindo Melhor Direção e Melhor Roteiro Original, além de Melhor Montagem e Melhor Atriz Coadjuvante, que foi para Dira Paes.
Por outro lado, Homem com H, uma cinebiografia do artista Ney Matogrosso, liderou em número de prêmios, garantindo seis estatuetas, incluindo Melhor Ator para Jesuíta Barbosa.
O Agente Secreto, que representou o Brasil na última edição do Oscar e faturou dois prêmios no Globo de Ouro, também foi reconhecido por sua Melhor Direção de Fotografia e Efeitos Visuais.
Lista completa dos vencedores:
Melhor Longa-Metragem de Ficção (empate)
- Manas
- O Agente Secreto
Melhor Filme pelo Voto Popular
- Homem com H
Melhor Longa-Metragem de Comédia
- Velhos Bandidos
Melhor Longa-Metragem Documentário
- Apocalipse nos Trópicos
Melhor Longa-Metragem de Animação
- Tainá e os Guardiões da Amazônia: Em Busca da Flecha Azul
Melhor Longa-Metragem Infantil
- O Diário de Pilar na Amazônia
Melhor Longa-Metragem Ibero-Americano (empate)
- Belén: Uma História de Injustiça (Argentina)
- O Riso e a Faca (Portugal)
Melhor Direção
- Marianna Brennand (Manas)
Melhor Primeira Direção
- Rafaela Camelo (A Natureza das Coisas Invisíveis)
Melhor Ator
- Jesuíta Barbosa (Homem com H)
Melhor Atriz
- Denise Weinberg (O Último Azul)
Melhor Ator Coadjuvante
- Rodrigo Santoro (O Último Azul)
Melhor Atriz Coadjuvante
- Dira Paes (Manas)
Melhor Roteiro Original
- Manas
Melhor Roteiro Adaptado
- O Filho de Mil Homens
Melhor Direção de Fotografia
- O Agente Secreto
Melhor Direção de Arte
- Homem com H
Melhor Figurino
- Homem com H
Melhor Maquiagem
- Homem com H
Melhor Trilha Sonora
- Homem com H
Melhor Som
- Homem com H
Melhores Efeitos Visuais
- O Agente Secreto
Melhor Montagem
- Manas
Melhor Curta-Metragem de Ficção
- Amarela
Melhor Curta-Metragem Documentário
- Sebastiana
Melhor Curta-Metragem de Animação
- A Tragédia da Lobo-Guará
Melhor Série de Ficção
Melhor Série Documentário
- Caçador de Marajás
Melhor Série de Animação
- Osmar – A Primeira Fatia do Pão de Forma
Melhor Série Brasileira
- Cangaço Novo (2ª temporada)
Melhor Ator de Série de Ficção
- Johnny Massaro (Máscaras de Oxigênio Não Cairão Automaticamente)
Melhor Atriz de Série de Ficção
- Alice Carvalho (Cangaço Novo)
Melhor Ator de Série
- Allan Souza Lima (Cangaço Novo)
Melhor Atriz de Série
- Marjorie Estiano (Ângela Diniz: Assassinada e Condenada)
Fonte: Agência Brasil/EBC








