Na última terça-feira (18), a Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) anunciou a suspensão de quatro empresas dedicadas a voos panorâmicos na cidade do Rio de Janeiro. Essa decisão foi revelada durante uma coletiva de imprensa no Centro de Operações e Resiliência (COR), localizado no centro da capital fluminense.
A Anac, que já havia intensificado sua fiscalização na semana anterior, constatou irregularidades em diversas operações no setor de voos panorâmicos. Atualmente, 12 empresas estão registradas nessa atividade, utilizando um total de 46 aeronaves. De acordo com os dados coletados até esta segunda-feira (17), nove dessas empresas foram auditadas, resultando na suspensão de quatro delas.
“Atualmente, cerca de 50% das atividades de voos panorâmicos no Rio apresentam algum tipo de irregularidade, o que é alarmante e inaceitável,” destacou o diretor-presidente da Anac, Tiago Chagas Faierstein.
Dentre as 46 aeronaves monitoradas, 18 foram fiscalizadas e nove tiveram suas operações suspensas. As auditorias incluem a análise dos Sistemas de Gerenciamento da Segurança Operacional (SGSO), além de verificações sobre o cumprimento de procedimentos operacionais, vistorias e inspeções técnicas das aeronaves.
Essas medidas rigorosas surgiram em resposta a solicitações da prefeitura local, que está preocupada com os recentes acidentes envolvendo helicópteros na região. Faierstein, que conduziu a coletiva junto ao prefeito Eduardo Cavaliere, afirmou que a fiscalização da Anac é uma prática comum, mas foi ampliada devido aos acidentes recentes.
Colaboração entre Prefeituras e Anac
A Anac e a administração municipal trabalham em colaboração para regular o uso de helicópteros em voos panorâmicos. Esta iniciativa é uma resposta a um pedido das autoridades locais após uma série de trágicos acidentes aéreos. O prefeito mencionou que, desde janeiro, 13 vidas foram perdidas em acidentes envolvendo helicópteros, o que gera grande preocupação entre os cidadãos e governantes.
“As ações de fiscalização demonstram o comprometimento da Anac com a segurança dos passageiros e a legitimidade das operações aéreas,” complementou o prefeito.
A parceria entre a Anac e a prefeitura visa mitigar riscos associados aos voos panorâmicos, os quais, segundo o prefeito, têm atraído um número crescente de turistas à cidade.
Faierstein também ressaltou a importância de fiscalizar não apenas as empresas que realizam voos, mas também aquelas responsáveis pelas manutenções. “Todo o ciclo de operações precisa ser monitorado para garantir a segurança de todos,” disse.
Além disso, o diretor-presidente mencionou que os usuários de voos panorâmicos também têm um papel a desempenhar na segurança. O público é incentivado a usar a plataforma Voe Seguro para verificar se uma aeronave está devidamente autorizada a operar.
Mudanças no Regulamento
Faierstein revelou planos para revisar o Regulamento Brasileiro da Aviação Civil 136 (RBAC 136), que abrange operações de voos panorâmicos. O objetivo é aprimorar os critérios de segurança operacional, incorporando práticas recomendadas internacionais e levando em conta as particularidades regionais.
Em uma medida adicional, a prefeitura suspendeu o uso do heliponto da Lagoa para empresas de voos panorâmicos. Essa decisão foi tomada após a identificação de que várias empresas estavam violando as normas estabelecidas, especialmente após o trágico acidente no dia 8 de agosto que resultou na morte de três turistas e do piloto.
“Detectamos que algumas dessas empresas estavam burlando as normas ao usarem o heliponto da Lagoa para desembarque de passageiros inadequadamente. Portanto, decidimos suspender as operações imediatamente,” afirmou Matieli, secretário municipal da Casa Civil.
Além da queda ocorrida na Floresta da Tijuca, um segundo acidente, onde duas aeronaves colidiram no ar, resultou em seis mortes no bairro Recreio dos Bandeirantes em junho.
Fonte: Agência Brasil/EBC







