Uma nova pesquisa revelou a presença de bactérias encontradas em resíduos plásticos dentro de tartarugas-verdes (Chelonia mydas) no estado do Rio de Janeiro, sugerindo implicações importantes para a saúde dessas criaturas.
Realizado pelo professor Filipe Berbeti e sob a orientação do coordenador Henrique Fragoso dos Santos, este estudo teve lugar no Laboratório de Microbiologia Ambiental e Microbiotecnologia da Universidade Federal Fluminense (UFF).
Colaboração e Aprofundamento do Estudo
Pesquisadores da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e do projeto Aruanã, que visa proteger tartarugas-marinhas na Baía de Guanabara, também contribuíram para esta pesquisa.
Berbeti coletou amostras de micro-organismos que habitam as tartarugas na praia de Itaipu, Niterói, e as comparou com as bactérias associadas a plásticos, algas e à água do mar na área.
Os resultados indicaram que os micro-organismos presentes nas tartarugas eram mais semelhantes àqueles encontrados em resíduos plásticos do que aos que se encontram nas algas, que representam sua fonte de alimento.
“Era previsível que a microbiota das tartarugas se assemelhasse mais às algas que elas consomem. No entanto, nossas comparações mostraram uma conexão maior com as bactérias dos plásticos, sugerindo uma interação mais próxima do que se imaginava,” destacou o pesquisador.
Este achado sugere que a interação com plásticos pode ser uma importante via de exposição às tartarugas-verdes a micróbios nocivos.
“Acreditamos que o plástico gera problemas conhecidos como poluição visual e ingestão por animais, mas a conexão entre a microbiota e o plástico ingerido ainda era uma área pouco explorada,” afirmou Berbeti.
Dentre as bactérias identificadas tanto em plásticos como nas tartarugas, estão os gêneros Vibrio, Pseudomonas, Bacillus, Staphylococcus, Streptococcus, Chryseobacterium e Clostridium.
Esses grupos incluem microrganismos que podem causar doenças em animais e seres humanos; porém, a pesquisa não estabeleceu uma relação direta entre essas bactérias e enfermidades nas tartarugas-verdes. A identificação mais detalhada de cada espécie ainda não foi realizada, o que impossibilita afirmar se algumas delas são patogênicas.
“Ao analisarmos o microbioma, a identificação da espécie torna-se desafiadora. Nos limitamos à classificação em nível de gênero, portanto, não podemos garantir com segurança que uma determinada espécie estivesse provocando patogenicidade,” explicou Berbeti.
De acordo com os resultados, os resíduos plásticos têm potencial para abrigar micróbios com importância patogênica, e as tartarugas-verdes podem atuar como dispersoras dessas bactérias, conectando ecossistemas poluídos a áreas remotas ao longo de sua migração.
A pesquisa incluiu cinco tartarugas coletadas pelo projeto Aruanã e teve seus achados publicados na revista Environmental Pollution em agosto deste ano.
Fonte: Agência Brasil/EBC








