Os mais recentes dados do Banco Central (BC) indicam que as famílias brasileiras estão enfrentando um cenário complicado, com a taxa de juros se mantendo elevada e a inadimplência em alta.
Em junho, a taxa média dos juros para crédito livre destinado às pessoas físicas subiu para 64% ao ano, apresentando um aumento de 1,2 pontos percentuais (p.p.) nesse mês e de 4,6 p.p. comparado ao mesmo período do ano anterior.
Outras Informações Relevantes:
- Desemprego no 2º trimestre é 5,4%, o menor registro no período.
- IGP-M apresenta queda de preços de 1,16% em julho, segundo a FGV.
De acordo com o BC, o aumento foi fortemente influenciado pelas taxas do crédito pessoal não consignado, que cresceram 7 p.p. no mesmo período.
Quando se considera todas as formas de crédito, a taxa média de juros das concessões atingiu 33,4% ao ano, apresentando uma leve elevação de 0,2 p.p. em relação ao mês anterior e de 1,5 p.p. na comparação anual.
O spread bancário permanece estável em 21,9 p.p., um aumento de 1,1 p.p. se comparado ao mesmo mês do ano passado.
A inadimplência total da carteira de crédito do Sistema Financeiro Nacional (SFN) se manteve em 4,7% em junho, sem alteração em relação ao mês anterior, mas 1 ponto percentual maior que no mesmo mês do ano passado. No segmento de pessoas físicas, esse índice permaneceu em 5,6%, com um aumento de 1,2 p.p. em 12 meses.
No crédito livre, a inadimplência se fixou em 6,2%, estável em relação ao mês anterior e 0,9 p.p. superior ao que foi registrado um ano antes. Entre pessoas físicas, a taxa é de 7,6%, com um aumento anual de 1,1 p.p.
O endividamento das famílias alcançou 49,8% em maio, mostrando uma redução de 0,1 p.p. nesse mês, mas um aumento de 0,9 p.p. em relação ao ano anterior. O comprometimento da renda com pagamentos de dívidas chegou a 28,5%, indicando um aumento de 0,1 p.p. em comparação a abril e de 1,3 p.p. na análise anual.
Crédito para Famílias
O saldo total das operações de crédito do SFN em junho foi de R$ 7,4 trilhões, com um crescimento de 0,7% mensalmente. Em termos anuais, a expansão foi de 9,7%.
O crédito destinado às famílias alcançou R$ 4,6 trilhões, apresentando um aumento de 0,2% em junho e de 10,8% em comparação com 12 meses atrás.
No segmento de crédito livre para indivíduos, o saldo totalizou R$ 2,5 trilhões. Apesar de um crescimento de 11,2% ao longo de um ano, houve uma leve queda de 0,1% em relação a maio, atribuída pelo Banco Central às reduções nas carteiras voltadas para aquisição de veículos e crédito pessoal sem garantias reais.
As concessões totais de crédito, já ajustadas sazonalmente, apresentaram um crescimento de 0,4% em junho, com o aumento puxado principalmente pelas operações de crédito para empresas, que cresceram 1,4%, enquanto as concessões para famílias caíram 0,2%.
Crédito Ampliado
O crédito ampliado para o setor não financeiro atingiu R$ 21,7 trilhões em junho, o que corresponde a 164,3% do Produto Interno Bruto (PIB). Este resultado representou um crescimento de 0,9% em relação ao mês anterior.
Esse aumento foi influenciado principalmente pelo crescimento nos títulos públicos (0,7%), nos empréstimos do SFN (0,6%) e nas operações externas (2,3%), impulsionadas pela desvalorização cambial do período, que foi de 2,37%.
Desde junho do ano passado, o crédito ampliado cresceu 11,9%, destacando-se as expansões em títulos públicos (15%), empréstimos do SFN (9,4%) e títulos privados de dívida (16%).
Ao final de junho, o crédito destinado às empresas atingiu R$ 7,2 trilhões, equivalente a 54,7% do PIB, com crescimento impulsionado pelos empréstimos externos (2,4%), empréstimos do SFN (1,1%) e títulos privados de dívida (1%).
Em termos anuais, a expansão acumulada foi de 8,2%, impulsionada principalmente pelos títulos de dívida (14,2%) e pelos empréstimos do sistema financeiro (7,1%).
Fonte: Agência Brasil/EBC








