A recente declaração de Donald Trump, presidente dos Estados Unidos, causou alvoroço ao afirmar que a Groenlândia será cenário de uma extensa exploração de petróleo, gás e minerais. A polêmica surge num momento em que o território se opõe a mudanças em suas restrições para perfurações em busca de petróleo bruto.
A ilha, administrada sob um regime semiautônomo pela Dinamarca, foi descrita por Trump como “nossa nova e bela Groenlândia”. Em uma postagem nas redes sociais, ele destacou os benefícios que os EUA teriam a partir de um acordo de segurança assinado no mês passado.
Reações oficiais ao anúncio
Embora o gabinete do primeiro-ministro groenlandês tenha optado por não comentar sobre as afirmações de Trump, o Ministério das Relações Exteriores dinamarquês e o Ministério de Recursos Minerais da Groenlândia não forneceram respostas imediatas aos meios de comunicação.
A relação entre Trump e a Groenlândia tem sido tensa desde 2019, quando o presidente sugeriu a compra da ilha devido à sua localização estratégica e abundância de minerais. Em mais de uma ocasião, ele não descartou medidas mais severas para garantir o controle sobre o território.
No mês passado, um entendimento entre EUA e Dinamarca visou aumentar a presença militar americana na Groenlândia, um passo que parecia resolver disputas anteriores, embora tal acordo não tenha proporcionado direitos de exploração mineral.
“Uma exploração em grande escala de petróleo, gás e minerais está prestes a começar”, afirmou Trump recentemente em sua plataforma Truth Social.
Trump acrescentou que especialistas acreditam que a quantidade de petróleo disponível na Groenlândia é incomparável à de qualquer outro lugar no mundo, embora não tenha mencionado projetos específicos de desenvolvimento.
Em 2021, a Groenlândia estabeleceu uma proibição de mineração de urânio e de novas explorações de petróleo. O governo local ainda estuda se a empresa texana Greenland Energy poderá recorrer a permissões anteriores à proibição.
Recentemente, a empresa anunciou planos para perfurar potencialmente em 2027 em uma bacia inexplorada na costa leste, embora ainda careça de licença para tal. No passado, a Arco havia investido consideravelmente em pesquisa na década de 1970, mas nunca chegou a fazer perfurações.
Jacob Kaarsbo, consultor dinamarquês em política de segurança, disparou críticas, dizendo que as declarações de Trump podem indicar uma intenção persistente de controlar a Groenlândia.
“Não se deve interpretar o acordo entre Trump e a Dinamarca como um sinal das intenções genuínas do presidente”, alertou Kaarsbo.
O recente tratado de 10 páginas entre EUA, Dinamarca e Groenlândia estabeleceu novas bases militares e sistemas de defesa, enquanto reafirmava a soberania dinamarquesa e os direitos de autodeterminação dos groenlandeses.
“Qualquer ataque futuro aos EUA terá que passar pela Groenlândia, onde nossas defesas estarão preparadas”, declarou Trump.
“Isso nos proporciona vantagens estratégicas únicas e inigualáveis no mundo contemporâneo!”, concluiu.
Fonte: Agência Brasil/EBC







