No cenário atual, o vice-presidente da Bolívia, Edmand Lara, declarou temer por sua vida, ao acusar o governo de Rodrigo Paz de preparar uma armadilha que poderia resultar em sua detenção. De acordo com Lara, ele recebeu informações de policiais que alertaram sobre a criação de um processo falso destinado a justificativa de sua prisão, o que o deixou preocupado.
Em uma mensagem aberta divulgada nas redes sociais, o vice-presidente afirmou: “Venho a público denunciar que o Coronel Marcelo Ferrufino está tramando um inquérito falso contra mim, visando minha prisão ilegal.”
Implicações e Consequências
Um fator preocupante é que esse pronunciamento de Edmand Lara se deu poucos dias após a detenção do procurador-geral Roger Mariaca, que, por sua vez, é acusado pelo governo de ligações com o tráfico de drogas. Mariaca liderava uma investigação sobre um caso polêmico envolvendo o operador argentino Fernando Cerimedo, que já atuou como assessor dos presidentes Rodrigo Paz e Javier Milei, vinculado a grupos políticos conservadores na região.
O vice-presidente, enquanto estoicamente exigia esclarecimentos sobre a prisão de Mariaca, reiterou: “Existem sérias dúvidas sobre a legalidade e os procedimentos adotados. Portanto, é dever das autoridades apresentarem uma explicação.”
Preocupações de Segurança Pessoal
Atualmente em uma viagem à Espanha, Edmand Lara expressou sua inquietação em relação à sua segurança, revelando que recebeu ameaças oriundas do Executivo que visam intimidá-lo por sua postura em defesa da democracia e da constituição nacional. “Isso é parte de uma manobra política pensada para me calar,” enfatizou o vice-presidente.
Até o momento da redação deste artigo, o governo de Rodrigo Paz não havia respondido às alegações feitas por Lara.
Contexto Político e Reações
A doutoranda em ciência política Alina Ribeiro, da Universidade de São Paulo, destacou que Edmand Lara se distanciou do governo de Paz e frequentemente critica a atuação de Cerimedo. “Lara alega que Cerimedo não ocupava um papel técnico, mas detinha poder real sobre ministros e participava ativamente nas decisões do gabinete, o que revela sua influência mais ampla,” afirmou Ribeiro.
A defesa de Cerimedo, por sua vez, negou as acusações, afirmando que se trata de uma conspiração política.
A prisão do procurador-geral Roger Mariaca, ocorrida pouco após ser acusado de vínculos com narcotráfico, provocou reações entre seus servidores, que a consideraram um “sequestro” sem mandado judicial.
Além disso, a situação se agravou com Lara se opondo ao governo em relação à escolha de um novo procurador-geral. A vice-presidência na Bolívia implica também funções parlamentares, e Lara havia convocado uma sessão legislativa para discutir as acusações do governo Trump contra autoridades bolivianas. Porém, o presidente do Senado, Diego Ávila, antecipou essa sessão para tratar apenas da prisão de Mariaca, uma alteração que gerou críticas por parte de Lara.
Reação Internacional
Os Estados Unidos estão apoiando a ação contra o procurador-geral Roger Mariaca, conforme afirmado por Marco Rubio, secretário de Estado dos EUA, que destacou o compromisso dos EUA em preservar a segurança democrática na região, criticando a influência do narcotráfico. Em declaração conjunta, os países participantes do Escudo das Américas sustentaram sua determinação em defender governos democraticamente eleitos e resistir à influência negativa de redes narcoterroristas.
Fonte: Agência Brasil/EBC







