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Home - Brasil

Crescimento da Leitura Digital no Brasil Impulsionado por Celulares

Editor by Editor
02 set 2026
in Brasil
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Os números revelam que aproximadamente 94 milhões de brasileiros se tornaram leitores digitais. Nos últimos 12 meses, esses indivíduos utilizaram dispositivos como smartphones, notebooks e e-readers para acessar uma variedade de conteúdos, incluindo notícias, livros, quadrinhos e textos informativos.

Uma pesquisa elaborada pela Nielsen BookData tem como objetivo mapear o perfil e os hábitos dos leitores, destacando o tipo de conteúdo acessado, a frequência de leitura e as plataformas utilizadas, informações estas essenciais para fortalecer políticas públicas e estratégias de mercado.

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Contexto Atual da Leitura

De acordo com a pesquisa, um exemplo é a técnica de enfermagem Maria das Neves de Araújo Alves, 60 anos, residente em Valparaíso de Goiás. Trabalhadora em Brasília, ela passa cerca de três horas por dia em transporte público, dedicando parte desse tempo à leitura de romances e livros de ação.

“Leio no celular, pois ele está sempre comigo e posso fazê-lo em qualquer lugar, seja no ônibus ou em outras situações do dia a dia”, compartilhou Maria à Agência Brasil.

Maria mantém o hábito de leitura há pelo menos quatro anos e já não consegue recordar quantos livros leu nesse período.

“Acabo um livro e já vou para o próximo. Não sou boa com nomes e não consigo listar os títulos, mas gosto de histórias de romance e ação que escolho na plataforma. Às vezes, mesmo não gostando do enredo, sigo até o final por pura curiosidade. Me sinto parte da história, como se conhecesse as personagens”, contou.

Na hora de optar pela plataforma de leitura, Maria valorizou a praticidade, evitando downloads que poderiam consumir seus dados e espaço de armazenamento.

Para ela, os dispositivos eletrônicos tiraram uma série de barreiras impostas pela literatura física.

“Livros físicos são incômodos porque pesam na bolsa. Eu precisaria comprá-los ou ir a uma biblioteca, e a mais próxima está longe de casa”, ponderou.

Dados da Pesquisa

A pesquisa revelou que, no período de 12 meses antes da coleta, os tipos de conteúdo digital mais acessados foram livros e notícias, além de artigos em blogs e audiolivros.

Dados adicionais mostram que a maioria dos leitores digitais pertence às classes C (46%), D e E (18%). A classe B representa 29%, enquanto a classe A é de 7%.

Com base nas 3 mil entrevistas realizadas, os pesquisadores identificaram que o celular é o principal dispositivo para leitura: 72% dos leitores de livros digitais e 85% dos que acessam outros textos optam pelo smartphone.

A maior parte dos leitores digitais no Brasil é composta por jovens adultos (18 a 44 anos) e o público feminino corresponde a 56%. Metade deles se declara branca, enquanto pardos (37%) e pretos (11%) compõem quase toda a outra metade, com amarelos somando 2% e indígenas 0,2%.

Cerca de 61% dos leitores digitais afirmam que a facilidade de acesso foi um fator decisivo na escolha pela versão digital dos livros, seguidos por outros 48% que citam a praticidade de carregar vários livros em um único dispositivo. O custo também foi um ponto mencionado por muitos entrevistados.

Além disso, uma considerável parcela (48,8%) declarou ter acessado livros e audiolivros de forma gratuita em sites e aplicativos não oficiais, enquanto outros 46,4% utilizaram recursos institucionais como a plataforma MEC Livros. Quase a metade dos entrevistados não tem certeza da legalidade das obras digitais baixadas de forma gratuita.

Plataformas como Facilitadoras

Rodrigo Meinberg, CEO da plataforma de leitura digital Skeelo, que colaborou para a realização da pesquisa, argumenta que as telas não competem com livros físicos, mas sim facilitam o acesso à leitura, superando os obstáculos históricos da disseminação do conhecimento.

“O uso de redes sociais hoje faz com que cada vez mais pessoas conversem sobre leitura e descubram novos autores”, observou Meinberg.

O executivo ainda ressalta que tendências anteriores de pesquisa não retratavam adequadamente o impacto da tecnologia no setor editorial.

“Hoje, quase todos os brasileiros possuem acesso ao livro através de seus celulares”, disse, destacando parcerias das operadoras de telefonia com aplicativos de leitura, que oferecem muitos títulos gratuitos.

Federal e IBGE registraram que em 2018, somente 18% dos municípios brasileiros tinham uma livraria. Essa realidade limita o acesso da população a livros, cultura e informação, enquanto a rede de telefonia móvel alcança regiões onde não há livrarias, criando uma oportunidade significativa para o acesso à literatura.

Segundo a pesquisa, 47 milhões de brasileiros tiveram contato com livros digitais ou audiolivros nos últimos 12 meses.

Quebra de Barreiras

Rafael Lunes, presidente do Instituto para a Democratização da Leitura Digital, observa que a tecnologia permitiu que a cultura e a educação superassem barreiras físicas significativas.

“O Brasil apresenta um paradoxo: temos avançado na alfabetização, mas muitos municípios ainda carecem de livrarias ou bibliotecas”, destacou Lunes, enfatizando a necessidade de promover a leitura em qualidade.

“Precisamos ir além da alfabetização funcional e formar leitores habituais, oferecendo acesso a livros de qualidade”, completou. Ele elogiou a plataforma MEC Livros por ter se mostrado eficaz em atrair usuários e ressignificar o ato de ler no Brasil.

Fonte: Agência Brasil/EBC

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