A violência infantil continua a ser uma questão preocupante no Brasil, e o UNICEF está solicitando que os candidatos à Presidência apresentem estratégias concretas para sua prevenção. 

Estudos feitos pela organização analisaram os planos de cinco postulantes, enfatizando a necessidade de soluções mais ajustadas às particularidades dos diferentes grupos de crianças e adolescentes em situação de vulnerabilidade.
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O UNICEF observa que, embora as principais candidaturas apresentem propostas para combater a violência, a maioria foca em respostas post-fato em vez de ações preventivas.
A entidade destaca que o Brasil registrou avanços em algumas áreas sociais nas últimas décadas, mas a crise relacionados à violência permanece severa.
De acordo com Joaquín Gonzalez-Aleman, representante do UNICEF no Brasil, é essencial implementar políticas que atuem antes que a violência se materialize. Isso abrange educação, oportunidades para juventude, saúde, assistência social e apoio às famílias, além de sistemas que possam antecipar e identificar situações de abuso.
Soluções propostas
O UNICEF defende que os futuros líderes incluam a “parentalidade protetiva” em suas políticas voltadas à primeira infância e assistência social.
Isso implica em capacitar agentes públicos que entram em contato com as famílias, para que possam orientar pais e cuidadores sobre como prevenir a violência e adotar abordagens parentais que não sejam agressivas.
Além disso, a organização propõe a criação de uma Política Nacional de Prevenção de Violências contra Adolescentes, que não se limite a medidas de segurança pública. O enfoque deve abranger diversas áreas como educação, trabalho e assistência social para mitigar os fatores de risco relacionados à violência.
Cenário de violência
Em 2022, 2.079 crianças e adolescentes foram vitimados por homicídio no Brasil. Isso representa uma média alarmante de seis mortes diárias, com predominância entre jovens homens e de etnia negra.
Conforme o último Anuário de Segurança Pública, em 2025, foram registrados mais de 38 mil casos de maus-tratos a menores em contextos domésticos, mais que o dobro do que no ano anterior.
Além disso, contabilizaram-se 61 mil casos de estupro ou violência sexual cometidos por pessoas conhecidas das vítimas.
Disparidades sociais
A análise realizada pelo UNICEF também observou que as propostas não consideram as especificidades de raça, etnia, gênero e territorialidade, que influenciam nas diferentes vulnerabilidades às violências.
A entidade criticou a falta de menções específicas a crianças negras e indígenas, que estão entre os grupos mais expostos à violência em vários contextos.
“Embora haja referências a meninas e crianças com deficiência, elas são limitadas”, nota a organização.
Abordagens nos planos
O UNICEF revisou as propostas de candidatos como Lula (PT), Flávio Bolsonaro (PL), Ronaldo Caiado (PSD), Romeu Zema (NOVO) e Renan Santos (MISSÃO), totalizando 178 menções relacionadas a crianças e adolescentes identificadas.
As propostas de Lula, Caiado, Zema e Flávio focam explicitamente no tema, enquanto Renan não aborda diretamente essa questão.
No entanto, a entidade aponta que há uma tendência maior em discussões sobre resposta à violência em vez de um enfoque em políticas sociais abrangentes para garantir a proteção das crianças e adolescentes.
O UNICEF também analisou os programas de Flávio Bolsonaro e Romeu Zema, que priorizam medidas punitivas em resposta à violência, enquanto a proposta de Ronaldo Caiado apresenta um equilíbrio entre investigação e prevenção. Já o plano de Lula enfatiza estratégias para prevenir a violência infantojuvenil.
Fonte: Agência Brasil/EBC







