A 17ª Conferência das Nações Unidas sobre Combate à Desertificação (COP17) terminou após duas semanas de debates em Ulaanbaatar, na Mongólia, mas não conseguiu avançar significativamente nas metas propostas. Atuais estimativas indicam que cerca de 40% das terras do mundo estão degradadas, o que tornava a COP17 um evento crucial. No entanto, os resultados foram considerados por muitos como insatisfatórios.
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Expectativas não atendidas
A urgência das questões ambientais esperava decisões concretas nesta conferência. Contudo, os planos para uma estrutura global contra a seca foram novamente adiados, e os recursos financeiros necessários para combater a degradação das terras ficaram aquém do necessário.
Numa análise dos resultados, negociadores indicaram que a conferência poderia ter sido pior, dada a situação geopolítica atual e os esforços dos Estados Unidos para deslegitimar instrumentos diplomáticos multilaterais.
Logo no começo do evento, Washington bloqueou tópicos da agenda que envolviam gênero e a participação da sociedade civil, causando um impacto significativo nas discussões, já que o texto inicial é baseado em consensos previos.
Conflitos em pauta
No que diz respeito ao regime de combate à seca, os EUA favoreceram a interrupção completa do diálogo, enquanto países europeus apoiaram um acordo baseado em ações voluntárias. Por outro lado, nações africanas e o Brasil defenderam um pacto com compromissos obrigatórios.
Ao final, decidiu-se que a seca será um tópico constante nas futuras conferências, evitando interrupções em seu debate. As discussões continuarão entre as COPs, garantindo que os avanços não fiquem paralisados por longos períodos.
A secretária-executiva da UNCCD, Yasmine Fouad, refletiu sobre os desafios enfrentados: “Apesar das tensões, é importante notar que o sistema multilateral permanece coeso. Embora não tenhamos alcançado todos os nossos objetivos, ainda temos espaço para progresso até a próxima conferência.”
Ensaios paralelos e financiamento emergencial
Ulaanbaatar também presenciou a implementação da Parceria Global de Resiliência à Seca de Riad, iniciada na COP16, que visa apoiar dezenas de países através de um fundo coletivo.
Além disso, a conferência introduziu o Mecanismo de Investimento para Resiliência à Seca (DRIF), destinada a levantar cerca de US$ 400 milhões para iniciativas em segurança hídrica e agricultura sustentável.
Um dos destaques foi a apresentação do primeiro Índice de Resiliência à Seca (DRI), uma ferramenta que ajudará na avaliação da capacidade de adaptação dos países diante da escassez hídrica.
Desafios financeiros
A questão do financiamento continua a ser crítica, com a UNCCD estimando a necessidade de cerca de US$ 355 bilhões anualmente para restaurar terras até 2030. Atualmente, os investimentos são em torno de US$ 77 bilhões, resultando em um déficit anual de US$ 278 bilhões.
A participação do setor privado é limitada, representando apenas 6% dos fundos globais destinados à recuperação de ecossistemas.
Durante a COP17, uma mobilização de US$ 1,3 bilhão foi anunciada por vários países e organizações para projetos voltados à restauração e resiliência.
Pastagens e povos indígenas
A conferência, coincidentemente realizada no Ano Internacional das Pastagens e dos Pastores, destacou os desafios enfrentados pelos pastores e a conservação de seus habitats. Apesar de serem reconhecidos, as pastagens continuam a ser sub-representadas em políticas climáticas.
A COP17 também viu a formalização de grupos que representam povos indígenas, enfatizando suas exigências por inclusões significativas nas decisões e a proteção de seus direitos.
O Brasil se comprometeu a alcançar a Neutralidade da Degradação da Terra até 2030, com metas que incluem a recuperação de 163 mil km² de terras degradadas. Isso reflete um esforço coletivo diante de um cenário desafiador, onde a resistência e a colaboração são essenciais.
Fonte: Agência Brasil/EBC







