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Home - Brasil

Desarticulação no Atendimento Agrava Casos de Feminicídio

Editor by Editor
20 set 2026
in Brasil
Arte sobre violência contra as mulheres
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Infelizmente, muitas vezes, sinais de alerta, como ameaças e agressões, precedem os feminicídios. Especialistas afirmam que a falta de integração nos serviços que atendem vítimas de violência resulta em oportunidades de intervenção perdidas, levando a casos trágicos que poderiam ser evitados.

A promotora Silvia Chakian, do Ministério Público de São Paulo, enfatiza a necessidade de um trabalho conjunto entre as diversas instituições que atuam no combate à violência. Essa colaboração é essencial para engendrar uma atuação mais eficaz, semelhante à que ocorre no enfrentamento de crimes organizados.

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“O fragmento de dados, onde cada instituição lida com uma parte do problema, impede que o Estado compreenda a realidade plena da violência”, afirmou a promotora durante o painel sobre feminicídios e violência doméstica, parte do 20º Encontro do Fórum Brasileiro de Segurança Pública.

Chakian acrescentou que a falta de um sistema integrado de dados, juntamente com a ineficiência na fiscalização das medidas protetivas, transforma as oportunidades de proteção em falhas fatais, resultando na morte de mulheres.

O delegado Julio Guebert, docente da Academia de Polícia Civil de São Paulo, também concorda que é essencial que os serviços de atendimento se conectem e operem em uma rede colaborativa. “Sem essa rede, não avançaremos”, declarou.

“Na delegacia, no MP, na Defensoria, na área da saúde e na educação, é necessário que todas as portas conduzam a uma mesma sala. Essa conexão é a proposta que buscamos implementar. Embora seja um desafio em termos financeiros, é a única maneira viável,” argumentou.

Omissão Estatal

Conforme o Fórum Brasileiro de Segurança Pública, 72,9% das cidades com menos de 100 mil habitantes carecem de serviços específicos para atender mulheres.

“É justamente nesses locais que as mortes estão ocorrendo, pois as mulheres não têm um local seguro para buscar ajuda”, ressaltou Silvia Chakian.

A promotora ainda sublinhou que a negligência e falta de investimento do Estado no enfrentamento da questão geram uma resolução insuficiente do problema. “Isso precisa ser dito com clareza,” disse.

A delegada Cristine Costa, responsável pela 1ª Delegacia de Defesa da Mulher, defende a criação de sistemas que facilitem o registro de ocorrências. Uma das inovações é o boletim de ocorrência eletrônico, que permite a solicitação de medidas protetivas via celular.

Além disso, Cristine enfatiza a importância de treinar os policiais para que acolham as vítimas, evitando pré-julgamentos a respeito da gravidade das situações vividas, já que qualquer sinal de violência, mesmo que considerado sutil, pode ser um indício de uma escalada para o feminicídio.

Cultura de Ódio e Misoginia

A crescente brutalidade nas agressões contra mulheres, de acordo com Silvia Chakian, tem gerado preocupação em diversos setores que lidam com o assunto.

“Assistimos a casos alarmantes, como a violência extrema em locais públicos, que revelam uma cultura de ódio e misoginia fortemente alimentada por discursos nas redes sociais, que propagam a desvalorização das mulheres,” comentou a promotora.

Silvia ainda observa que o discurso misógino tem conquistado jovens cada vez mais cedo, criando um ciclo de violência que se perpetua.

Ela argumenta que a taxa de violência contra as mulheres está intimamente ligada à desigualdade de gênero ainda prevalente no Brasil. “Para evitar perdas irreparáveis, é fundamental garantir o reposicionamento das mulheres na sociedade e assegurar seus direitos em áreas como saúde, educação e trabalho,” concluiu.

Subnotificação de Casos

Os dados relativos a feminicídios aumentaram 4,7% em 2025 em comparação ao ano anterior, enquanto os homicídios dolosos apresentaram uma queda. A promotora Juliana Tocunduva, que atua na Casa da Mulher Brasileira, destaca que, apesar disso, muitos casos de violência contra mulheres continuam sem registro.

“Faltam muitos dados sobre ameaças e experiências de violência anteriores. As mulheres enfrentam diversas barreiras até conseguir realizar um registro formal,” destacou Juliana.

Entre essas barreiras, ela menciona a dificuldade de acesso à Justiça e a falta de confiança nas autoridades, além do medo de represálias do agressor e da dependência econômica.

Outro ponto crítico é a fiscalização das medidas protetivas. Juliana informa que, em 2025, foram emitidas mais de 621 mil ordens de proteção, mas houve também 135 mil descumprimentos, evidenciando falhas no sistema.

Adicionalmente, ela aponta que em muitas regiões interioranas a infraestrutura de apoio às mulheres vítimas de violência é extremamente precária, sem serviços sociais ou promotorias disponíveis. “Essas falhas dificultam ações efetivas que poderiam prevenir o aumento da violência e, consequentemente, dos feminicídios,” avaliou.

Fonte: Agência Brasil/EBC

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