Com as eleições se aproximando, os eleitores dos Estados Unidos estão cada vez mais céticos sobre a situação econômica. A inflação, amplamente sentida no dia a dia, torna-se um fator central de preocupação e muitos atribuem seus efeitos adversos a decisões do atual governo, como tarifas e conflitos como o do Irã.
Apesar do pessimismo, a economia possui pontos positivos. A taxa de desemprego permanece em níveis historicamente baixos e, atualmente, há um número recorde de pessoas empregadas. O crescimento econômico é firme, auxiliado por um recente aumento no investimento em tecnologia de inteligência artificial, contribuindo para o bom desempenho da bolsa de valores, o que beneficia muitos americanos em termos de aposentadoria.
Clima de Desconfiança
A confiança dos consumidores tem diminuído desde o início do segundo mandato de Trump em janeiro de 2025. Desta forma, um índice importante medido pelo Conference Board melhorou ligeiramente em outubro, mas a Universidade de Michigan indica um forte desânimo entre os consumidores.
Ainda que as contratações estejam devagar, as demissões massivas são raras. Os pedidos de auxílio-desemprego estão na mínima histórica e a taxa de desemprego, que estava em 4,2% em setembro, permanece estabilizada em números baixos.
Essa percepção positiva no mercado de trabalho é evidente. Um estudo do Conference Board aponta que os consumidores acreditam que as oportunidades estão melhorando, numa maior proporção do que a há pouco tempo.
Os ganhos consideráveis no mercado acionário se refletem nas finanças familiares, especialmente entre os mais ricos, que estão mais ativos neste cenário. Isso se traduz em um suporte significativo aos gastos dos consumidores, essencial para a manutenção do crescimento econômico.
Dados recentes mostram uma expansão de 3,4% na economia americana, sendo este o melhor desempenho do ano até agora. O secretário do Tesouro, Scott Bessent, destacou que, apesar das percepções ruins, as ações dos consumidores e das empresas se mantêm robustas, com expectativas positivas em relação às políticas fiscais e comerciais.
Um grande motor do atual crescimento é a demanda por tecnologias de IA, que ajudou a impulsionar os investimentos no último trimestre, resultando em um crescimento impressionante de 12,7%.
Avanços e Desafios
No entanto, é importante considerar as advertências de alguns economistas sobre a possibilidade de fragilidades no feito econômico. À medida que se aproximam as eleições, a divulgação de resultados financeiros de grandes empresas como Amazon e Intel tem gerado preocupação sobre a viabilidade contínua do crescimento ligado à IA, resultando em quedas nos índices da bolsa.
Ademais, a luta contra a inflação continua a ser uma questão central para muitas famílias, mesmo que tenha desacelerado em relação aos níveis de 2022. A inflação continua acima da meta de 2% estabelecida pelo Federal Reserve, o que gera insatisfação.
No começo da administração de Trump, os salários estavam subindo mais rapidamente do que os preços. Contudo, essa realidade mudou em 2023 após ações contra o Irã, o que afetou os preços dos combustíveis e acelerou a inflação.
Os preços ao consumidor e os salários também experimentaram aumentos notáveis desde janeiro de 2025, mas a situação financeira dos trabalhadores permanece estagnada em relação ao avanço de suas condições a partir do momento em que Trump assumiu o cargo.
O Federal Reserve já elevou as taxas de juros e prevê novas altas, na tentativa de controlar a inflação sem prejudicar a economia de modo que isso cause desemprego. Contudo, a combinação de taxas de hipoteca que superam 7% e a escassez de moradias tem dificultado ainda mais o acesso à casa própria para muitos cidadãos.
Fonte: Agência Brasil/EBC








