Em um contexto de transformação, os ex-alunos da Escola Municipal Domingos Simão de Oliveira, localizada em Águas Lindas de Goiás, se reuniram para votar em uma manhã que foi marcada por expectativas e emoções. Pedro Pereira, de 56 anos, foi um dos primeiros a chegar, preocupando-se em ajustar sua jornada como porteiro em Brasília, distante 50 km da escola.
“Espero que um dia essa rotina cansativa acabe e eu possa ter mais oportunidades na vida”, comentou, refletindo sobre sua vida e o abandono dos estudos ainda na quarta série.
Histórias de luta e esperança
Os sentimentos à flor da pele se tornaram evidentes, especialmente para Pedro, que fez questão de incentivar seus seis filhos a priorizarem a educação. “Estar aqui, na escola, mexe muito comigo”, revelou.
Pedro lembrou que, ao deixar sua cidade natal, Campo Maior, em busca de melhores condições, vendeu uma cabra para pagar sua passagem a Brasília, um gesto que ecoa até hoje em seu desejo de voltar a estudar.
A escola onde ele votou, inaugurada em 1992, ocupou o espaço anteriormente utilizado como curral numa fazenda. A psicopedagoga Maria do Socorro Pereira, que esteve à frente da escola desde o princípio, recordou os desafios enfrentados para inaugurar a unidade. “Não havia estrutura, mas era necessário”, disse.
“Iniciamos lecionando em contêineres e eu mesma cavava cisternas para garantir que a escola funcionasse”, relembrou Maria.
Memórias de um passado transformador
Quando a escola foi criada, ofereceu uma alternativa educacional para crianças que antes não tinham acesso. Adotou o nome de Ayrton Senna da Silva, após a morte do ídolo brasileiro, mas passou a se chamar Domingos Simão para o ensino fundamental.
Para Divino Evangelista dos Santos, de 53 anos, que só conseguiu concluir o 4º ano, a escola representa um símbolo de esperança. “Meus filhos não desistiram e estão se mantendo firmes nos estudos”, relatou. Ao lado, o pedreiro Dorival Batista, também analfabeto, compartilhou sua expectativa de um futuro mais tranquilo após se aposentar.
A lição da mudança
Gestos simples como votar trouxeram emoções para Géssica Matos, de 33 anos, que com seu bebê nos braços, expressou sua gratidão pela educação que recebeu na mesma escola. “Nós queremos um futuro melhor para nossos filhos”, disse, referindo-se ao desejo de um país com melhores oportunidades.
“Voltar aqui para votar é muito emocionante, pois é um lugar que simboliza nossas conquistas e sonhos”, destacou.
Relações que transformam
A história de Adenilson dos Santos Filho, 36 anos, também ecoa no sentimentar da comunidade. Ele recorda do início de sua trajetória na escola, onde foi incentivado por mestres. “A escola era essencial e, mesmo eufórico, eu ia por causa da merenda!” brincou.
Adenilson, cujo caminho o levou ao ensino superior com o Programa Universidade para Todos, reconhece o papel fundamental da escola em sua vida.
Por fim, a diretora Zélia Vaz, com 58 anos de dedicação à educação, destacou que a escola serve como um pilar para todos, reforçando a importância do voto na vida de cada um desses ex-alunos, que agora, como cidadãos, têm o poder de impactar o futuro da sociedade.
Fonte: Agência Brasil/EBC







