O ex-presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, fez severas críticas ao governo brasileiro, alegando que não houve sucesso no combate às facções criminosas Conhecidas como Primeiro Comando da Capital (PCC) e Comando Vermelho (CV). Essas afirmações foram registradas em um relatório anual dirigido ao Congresso dos EUA na última terça-feira (15). O documento analisa as nações que atuam como rotas ou locais de produção de drogas ilícitas, além de oferecer uma avaliação sobre a eficácia de diferentes governos.
Trump ressaltou que, enquanto “diversos países do Hemisfério Ocidental” têm tomado “medidas corajosas” para conter a distribuição de narcóticos e suprimir cartéis, o Brasil não conseguiu combater as designadas organizações terroristas estrangeiras, como o PCC e o CV, que, segundo ele, transformaram o Brasil em um hub global para a cocaína.
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“Essas facções brasileiras representam uma ameaça crescente à paz global, e é crucial que o governo brasileiro tome ações agressivas para combatê-las antes que se expandam ainda mais”, afirmou o presidente dos EUA.
Além disso, o governo americano já havia oficialmente classificado o PCC e o CV como Organizações Terroristas Estrangeiras (FTO, na sigla em inglês), estabelecendo medidas rigorosas contra elas. Essa designação, divulgada em 28 de maio, passou a valer em 5 de junho, fundamentada na seção 219 da Lei de Imigração e Nacionalidade dos EUA e uma ordem executiva do então presidente Trump.
Na ocasião, Marco Rubio, secretário de Estado dos EUA, declarou que essas facções estão entre as mais violentas do Brasil e têm potencial para atingir além das fronteiras nacionais. A designação como terroristas proporciona melhores recursos para sanções e medidas contra indivíduos e organismos ligados a essas organizações.
O governo brasileiro rejeitou essa definição, fazendo valer sua soberania ao argumentar que o combate à criminalidade deve ser realizado internamente, com apoio internacional.
Contudo, o Brasil não é classificado no relatório de Trump como um país que “falhou de maneira demonstrável” em cumprir suas obrigações internacionais no combate à traficância de drogas. Essa categorização foi aplicada a nações como Afeganistão, Bolívia, Birmânia, Colômbia e Venezuela.
Ademais, o Brasil não aparece na lista das principais rotas ou locais de produção de drogas ilícitas. Entre os países citados estão Afeganistão, Bahamas, Belize, Bolívia, e mais.
Foi contatado o Ministério das Relações Exteriores do Brasil para obter uma resposta sobre os comentários de Trump ao Congresso dos EUA. Qualquer atualização será incluída neste texto.
Elogio a governos aliados
No mesmo documento, Trump elogia países com governos próximos aos EUA, incluindo Argentina, Equador e El Salvador.
Ele também menciona positivamente Venezuela, Bolívia, Colômbia e Peru, destacando as mudanças recentes de governo como um fator para a melhoria no combate ao narcotráfico. Esse contraste entre elogios e críticas a Brasil e Nicarágua em relação a outros países é notável.
No caso da Colômbia, Trump elogia a recente eleição de Abelardo de la Espriella, que se comprometeu a implementar uma campanha enérgica contra a cultivo de coca e a produção de cocaína.
Trump também expressa apoio ao novo governo boliviano sob Rodrigo Paz, eleito em 2025, destacando que essa nova liderança simboliza um “novo capítulo” nas relações entre EUA e Bolívia, além de promover cooperação em segurança e combate às drogas.
Em relação ao Peru, ele elogia o compromisso da nova presidente, Keiko Fujimori, em trabalhar juntamente com os estadunidenses e “outros aliados” para combater organizações criminosas e minimizar o fluxo de cocaína destinado aos Estados Unidos.
Apesar das opiniões positivas, Peru, Colômbia, Equador e Venezuela ainda estão na lista de países de importância no tráfego ou produção de drogas ilícitas. Contudo, o documento ressalta que essa classificação não implica que o governo do país não colabore ou não adote ações contra as drogas.
Críticas a países vizinhos
O relatório de Trump também reconhece alguns esforços de países vizinhos, como México e Canadá, mas adota um tom mais crítico em relação a eles em comparação com os governos sul-americanos.
“Embora meu governo tenha conseguido proteger nossas fronteiras, Canadá e México precisam intensificar suas ações para bloquear os fluxos de drogas perigosas para o nosso país. O fentanil é produzido ilegalmente em laboratórios clandestinos no Canadá e substâncias químicas continuam entrando nos EUA por lá”, disse.
Sobre o México, Trump enfatizou que mais ações são necessárias contra as organizações narcoterroristas que controlam vastas áreas, continuando a ameaçar os cidadãos americanos.
O documento ainda aborda a China, classificando-a como o maior produtor de precursores químicos usados na produção de fentanil e outras substâncias ilícitas.
“Discute isso diretamente com o presidente Xi Jinping. No ano passado, a China atendeu ao meu pedido e implementou novas exigências para que suas empresas obtivessem licenças antes de exportar certos produtos químicos para a América do Norte. No entanto, criminosos continuam a achar formas de burlar esses controles”, apontou.
Trump requereu que a China adote medidas “mais agressivas” para efetivamente cortar o fluxo dessas substâncias, incluindo a classificação de novos precursores solicitados pelos EUA.
Fonte: Agência Brasil/EBC








