As recentes agressões contra símbolos religiosos em Fortaleza provocaram um intenso debate sobre a intolerância religiosa no Brasil. Na madrugada de 9 de setembro, um cartaz em uma loja de artigos católicos alertava que “se reabrir, todos morrem”, após o local ser atacado com um coquetel molotov. Na mesma noite, outros locais, tanto católicos quanto de umbanda, foram incendiados.
A Polícia Civil investiga os incidentes, enquanto o Padre Josileudo Queiroz, da Igreja de São José Operário, se manifestou nas redes sociais sobre a situação, sublinhando que o Brasil é um país laico, onde pluralidade religiosa deve ser respeitada. Ele condenou os ataques, denominando-os como crimes de intolerância religiosa.
A onda de ataques
Os atentados em Fortaleza não são isolados. Um dia antes, em Londrina (PR), a cabeça de uma imagem de Nossa Senhora Aparecida foi removida de uma loja de artigos religiosos. Em Salvador, a imagem de Nossa Senhora das Graças foi quebrada, e, dias depois, a de Santa Dulce dos Pobres foi destruída.
No dia 30 de setembro, o ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal, requisitou que a Polícia Federal investigasse a série de ataques a símbolos católicos sendo registrados pelo país. Todas essas ocorrências ocorreram em um clima de tensão antes da discussão sobre a padroeira do Brasil na campanha eleitoral.
Dados Alarmantes sobre Intolerância
Informações do Disque 100 relatam que, apenas no primeiro semestre de 2026, foram registradas 1.252 queixas envolvendo violação da liberdade de crença. Apesar dos católicos não serem os principais alvos, as denúncias entre eles aumentaram significativamente.
Segundo dados do IBGE, praticantes de candomblé e umbanda historicamente enfrentam mais intolerância, representando apenas 1% da população brasileira. Entre janeiro e junho deste ano, 270 denúncias foram registradas, evidenciando um aumento de 40% em comparação a 2025, quando 192 queixas foram feitas.
A intolerância religiosa é uma questão global, e durante a Semana Nacional de Combate à Intolerância Religiosa, destacou-se que a exclusão baseada na fé é uma estratégia política não só no Brasil. Rudelmar Faria, secretário-geral da ACT Alliance, enfatizou a instrumentalização da religião para excluir minorias, afetando grandemente mulheres e jovens de diversas etnias.
Recentemente, a campanha eleitoral no Brasil foi marcada por controvérsias envolvendo a figura de Nossa Senhora Aparecida, com boatos circulando sobre um suposto movimento para retirar o título de padroeira do Brasil. Em resposta, o candidato Flávio Bolsonaro buscou ajuda judicial para remover tais informações, gerando debates sobre liberdade de expressão e notícias falsas.
Consequências Legais
O defensor público do Ceará, Igor Barreto, esclarece que crimes de intolerância religiosa são inafiançáveis e imprescritíveis, podendo ser processados a qualquer tempo. No Brasil, as penas para esses crimes variam de um a cinco anos de prisão, além de multas.
Fonte: Agência Brasil/EBC







